segunda-feira, 23 de março de 2009

Pressa

Quando o Bruno tinha 2 anos ele já tirava barato da minha cara quando eu tinha pressa. Na hora de ir pra escola, uma vez eu disse "entra, entra no carro, rápido, rápido!". Ele sentou na cadeirinha, começou a agitar pernas e braços e disse "ápido, ápido!".

Numa outra vez, também com 2 anos, levei ele correndo para a casa de sua avó. Depois ela me contou que ele lhe disse:
- Bruno não tem pressa. Só mamãe tem pressa.

E um dia desses lembrei desses dois momentos quando ele estava tomando banho. Eu estava dando as instruções para ele se lavar:

- Vai, Bruno, lava o braço, o ombro, o pescoço, debaixo do braço...

E ele, com o sossego próprio de sua natureza, disse:

- Calma, mãe. Eu tenho 4 anos, eu não consigo pensar tão rápido!

sábado, 21 de março de 2009

Preto

Bruno fez amizade instantânea com um cachorrinho do sítio de meus pais e o batizou de Preto. Nos fins de semana, a primeira coisa que ele fazia era ir vê-lo.


Só que um dia Preto não apareceu. E Bruninho conheceu pela primeira vez a dor da perda de alguém querido, chorou por quase 1 hora, soluçando e me perguntando todas as dúvidas que ele tinha sobre a morte. Seu coração só se acalmou depois que rezamos em frente ao oratório de meus avós e lhes pedimos para tomar conta de Preto.

Uns dias depois Bruno perguntou se quando viajarmos de avião poderíamos ver o Preto no céu...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Comendo com medo?

Um papo de doido.
Eu e o Bruno estávamos no térreo esperando o elevador chegar, ele mordiscava um pãozinho, quando ouviu um grito e disse:

- Ai, que medo!

Logo o moço do grito apareceu e todos entramos no elevador. Ele perguntou para o Bruno:

- Tá com medo de quê?

Como o moço falou meio rápido, meio baixo, meio truncadinho, ele não entendeu:

- O quê?

- Tá com medo d'quê?

- Tô comendo pão.

- Mas por que você tá com medo?

- Porque eu tava com fome, ué.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Declaração mais gostosa...

Ontem à noite na hora de dormir, com muito carinho e ternura o Bruno me disse:

- Mamãe, eu gosto muito de você... você é a melhor mãe que eu já tive!

:-}

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Quantos dias?

Já faz algum tempo, estavamos às vesperas de um feriado prolongado, e o Bruno veio me perguntar se ele iria para a escola no dia seguinte.

- Não, filho. Você vai ficar quatro dias sem ir para a escola.

Ele ficou olhando com uma cara de pensativo. Achei que tentando decifrar quanto tempo eram quatro dias. Para ajudá-lo, levantei quatro dedos da minha mão e expliquei:

- Imagina que cada dedo é um dia.

E, apontando para o primeiro dedo, continuei:

- Vai passar este dia inteiro, vai chegar a noite, você vai dormir, vai acordar e então será este outro dia - e apontei para o segundo dedo. Vai passar o segundo dia inteiro...

Continuei a explicação, repetindo-a para cada um dos dias, apontando para cada um dos quatro dedos erguidos.



O Bruno então pensou mais um pouco, apontou para o meu dedo mindinho e perguntou:

- Mas pai, por que este dia vai ser menor do que os outros??



domingo, 4 de janeiro de 2009

Feliz... ano novo?!

Era dia 31 e eu disse para o Bruno:

- Está chegando o ano novo!

Ele ficou desesperado:

- E o que isso significa? Que vão acabar as minhas férias?????

Eu disse que não, que nós iríamos festejar o ano velho que vai embora e o ano novo que vem chegando, só isso.

Ele virou o olhinho de lado... pensativo... e perguntou em seguida:

- Mãe... e qual é a graça do ano novo?

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Ai... dormir é tão chato...

Olha só a prova de que, no fundo, no fundo, as crianças apreciam os limites que os pais lhes impõem:

Estava terminando de colocar pijama no Bruno e ele começou a resmungar melodramático:

- Mas... por que, por que eu sinto isso??? É que... é que eu não quero dormir, dormir é chato.

- Pois olha Bruno, você sente isso porque você saiu de mim, eu também sou igualzinha. Eu queria que o dia fosse mais comprido pra eu poder fazer mais coisas.

Ele virou de costas e caminhou dizendo:

- Ah, mãe, seja uma adulta.