Quando o Bruno tinha uns 2, 3 anos, ouvíamos muito "ah... essa fase é tão gostosa... aproveite, porque depois, viu!". A fase do "viu!" ainda não chegou para nós, continua sendo uma curtição descobrir o mundo com filhote. É ele quem devolve nossos pés ao chão, pois adulto muitas vezes se esquece o que significa viver realmente.
O penico só sobrou na lembrança e é incrível imaginar que o que era um feijãozinho no ultrassom possa hoje ter tantas delas...
sexta-feira, 10 de junho de 2011
terça-feira, 3 de maio de 2011
Como foi que escolheram meu nome?
Na escola, o Bruno está estudando sobre a passagem do tempo e o desenvolvimento do ser humano. Eles estudaram a própria certidão de nascimento e pela primeira vez ele se deparou com os nomes completos dos avós. Hoje, como lição de casa, ele ia fazer uma entrevista com os pais e começou a me contar no carro:
- Mãe, preciso te perguntar: como foi que vocês escolheram meu nome?
- Bem, primeiro nós pesquisamos sites de nomes de bebês e anotamos os que mais gostamos. Então conversamos "Ah, esse eu não gosto", "ah, este é legal". Depois ficamos muitos dias tentando decidir entre os nomes preferidos.
Foi delicioso lembrar de nossa angústia na escolha do nome do bebê e de que já sabíamos bem como ele era de personalidade, antes mesmo de nascer...
Depois desse pequeno instante de silêncio, meu bebê exclamou indignado:
- Vocês escolheram meu nome pela... Internet????
- Mãe, preciso te perguntar: como foi que vocês escolheram meu nome?
- Bem, primeiro nós pesquisamos sites de nomes de bebês e anotamos os que mais gostamos. Então conversamos "Ah, esse eu não gosto", "ah, este é legal". Depois ficamos muitos dias tentando decidir entre os nomes preferidos.
Foi delicioso lembrar de nossa angústia na escolha do nome do bebê e de que já sabíamos bem como ele era de personalidade, antes mesmo de nascer...
Depois desse pequeno instante de silêncio, meu bebê exclamou indignado:
- Vocês escolheram meu nome pela... Internet????
Marcadores:
Escola,
Para rir,
passagem do tempo
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Incentivo à não leitura
Eram férias de janeiro e estávamos os três curtindo a ala infantil da Livraria Cultura. Láaa no cantinho, beeeem no fundo, uma mãe puxou nervosa seu filho de cerca de 10 anos e lhe perguntou:
- Olha. Tá aqui. Quantos você vai ler?
- Mas mãe...
- TEM QUE LER. QUANTOS VOCÊ VAI LER?
- Um.
- Um não. Quatro.
- Um.
- Então três.
- Dois.
- Tá bom, tá bom, dois então. Vamo, escolhe logo, quais você quer ler? (...) Vamo, rápido, escolhe logo que eu quero sair daqui.
A bronca estava doendo em mim, então me movi para sair de perto. Foi inevitável: ao me virar e dar um passo, num só relance vi que os livros que a mãe havia espalhado no balcão para o menino escolher eu não diria nem para o Bruno ler com seus 6 anos. Era uma coleção de qualidade literária duvidosa, comercial, fininhos e claramente inadequados (para não dizer tontos) para um menino tão grande.
Quase chorando, o menino disse:
- Mãe, se você faz assim eu não consigo escolher!...
Aí sim a mãe foi delicada:
- ESCOLHE LOGO QUE EU NÃO AGUENTO MAIS FICAR AQUI!
Pobre mãe, tão pressionada pelo incentivo à leitura. Embora tenha ficado muito indignada com sua postura, não a culpo, pois ninguém conseguiu fazê-la gostar de ler, ela mesma é vítima.
Hoje é dia nacional do livro infantil. Eu sou absolutamente apaixonada por livro infantil e mesmo assim estou bem entediada com esses milhões de dias do livro que mais igualam o livro ao agrião.
Não se ensina o filho a gostar de livro (nem de agrião) se os pais e professores não tiverem este amor, verdadeiramente. “Tem que comer”...ops.. “ler!” – não é lá muito motivador.
E não adianta disfarçar o livro de brinquedo. Há espaço para tudo, mas oferecer um livro piscante ou com o personagem da moda achando que está incentivando a leitura é engano. É como misturar o agrião bem picadinho no meio do feijão.
Também acho que teatrinhos e filminhos contando a história de um menino triste que descobriu a felicidade dentro dos livros só causa mais aversão.
Antes de promover um incentivo à leitura dentro de casa, o adulto precisa se convencer de que ele mesmo gosta de ler. E não é preciso ser erudito, basta ler o que se gosta de ler, com prazer verdadeiro. Difícil saber como começar? Pode ser o caderno de automóveis do jornal, revista feminina, folheto de supermercado. Sei que não é fácil começar a gostar de agrião.
Bem, foi mais um desabafo, porque sei que quem teve paciência para ler um post tão grande deve gostar bastante de ler.
Aproveitando o gancho: já provou o agrião só com seus talos mais fininhos? Ou mesmo só a folhinha? Aquele talo grosso, quando colocado na sopa, murcha e perde o “ardido”, além de funcionar como um canudinho. E refogado? Uhmmm...
quinta-feira, 17 de março de 2011
Ser filho numa metrópole
Quando fui buscar o Bruno na escola, ele já tinha planos para sua tarde:
- Mãe, quando eu chegar em casa vou fazer um livro. Você sabe, né, eu quero ser autor de livros quando crescer. E hoje vou desenhar uma história sobre os Angry Birds.
- Sobre o joguinho de celular?
- É, do celular do papai. Já que hoje eu não posso jogar porque papai está trabalhando, vou fazer um livro e mostrar para ele à noite.
Mas a noite chegou e seu pai não.
Era hora de dormir e tudo o que restava fazer era telefonar e lhe perguntar se estava perto ou se ainda estava preso no trânsito.
- Pai, onde você está?... ainda?!?! Aaaahh... – e desligou sem se despedir, tão frustrado que estava. – Papai ainda está no trabalho! Não é justo! Por que ele chega tão tarde em casa?
- É porque ele anda trabalhando muito, querido.
- Então deveria ser o contrário, ué. Se ele está trabalhando muito, deveria terminar o serviço logo e voltar cedo para casa.
Vestiu o pijama chorando. E eu fiquei pensando em quantas casas de São Paulo a cena se repetia naquele mesmo instante. Ele me pediu que o ajudasse. Como eu gostaria de consertar a rotina metropolitana, Bruno... Tudo o que pude lhe dizer foi que ele poderia ligar para conversar um pouco com o pai e lhe dizer boa noite. No começo ele achou que não era suficiente, mas respirou fundo, enxugou as lágrimas e discou o número do celular do pai.
- Pai... você pode conversar um pouco comigo?
Durante a conversa, seu coração foi se amansando com o colo que recebia via telefone. Contou-lhe sobre seu dia na escola, sobre o livro que tinha começado. E ainda recebeu a boa notícia de que papai estava a caminho de casa.
- Então, boa noite, pai. Enquanto você não vem, vou lhe escrever uma mensagem, tá legal? Tchau!
Correu para pegar um lápis em seu estojo e me pediu uma folha de papel.
- Mãaaaae, como se escreve “coisa”?
E desatou a escrever, rápido como o ritmo de seu coração, feliz pela idéia genial que teve para se sentir mais perto do pai. Começava com “Querido papai, eu tinha tanta coisa para te mostrar...” e continuava de um jeito... que não foi possível manter meus olhos secos.
- Mãe, podemos rezar para o papai conseguir chegar mais cedo em casa?
Sentamos em sua cama, e ele começou:
- Papai do céu, ajuda o papai a voltar mais cedo do trabalho e a sair mais cedo para o trabalho. Amém.
Depois que li uma história, ele se aninhou no travesseiro e pareceu adormecer. Encostei a porta. Cinco minutos depois, a chave girou na sala com seu barulho inconfundível, que sempre anunciava a chegada de alguém muito amado. Bruno abriu a porta de seu quarto e saiu correndo abraçar o pai.
E como criança tem prioridade na fila de preces, papai do céu fez meu marido dizer, inocente:
- Amanhã, vou sair mais cedo e levar o Bruno para a escola, posso?
E viveram sonolentos e felizes, por todo o dia seguinte.
- Mãe, quando eu chegar em casa vou fazer um livro. Você sabe, né, eu quero ser autor de livros quando crescer. E hoje vou desenhar uma história sobre os Angry Birds.
- Sobre o joguinho de celular?
- É, do celular do papai. Já que hoje eu não posso jogar porque papai está trabalhando, vou fazer um livro e mostrar para ele à noite.
Mas a noite chegou e seu pai não.
Era hora de dormir e tudo o que restava fazer era telefonar e lhe perguntar se estava perto ou se ainda estava preso no trânsito.
- Pai, onde você está?... ainda?!?! Aaaahh... – e desligou sem se despedir, tão frustrado que estava. – Papai ainda está no trabalho! Não é justo! Por que ele chega tão tarde em casa?
- É porque ele anda trabalhando muito, querido.
- Então deveria ser o contrário, ué. Se ele está trabalhando muito, deveria terminar o serviço logo e voltar cedo para casa.
Vestiu o pijama chorando. E eu fiquei pensando em quantas casas de São Paulo a cena se repetia naquele mesmo instante. Ele me pediu que o ajudasse. Como eu gostaria de consertar a rotina metropolitana, Bruno... Tudo o que pude lhe dizer foi que ele poderia ligar para conversar um pouco com o pai e lhe dizer boa noite. No começo ele achou que não era suficiente, mas respirou fundo, enxugou as lágrimas e discou o número do celular do pai.
- Pai... você pode conversar um pouco comigo?
Durante a conversa, seu coração foi se amansando com o colo que recebia via telefone. Contou-lhe sobre seu dia na escola, sobre o livro que tinha começado. E ainda recebeu a boa notícia de que papai estava a caminho de casa.
- Então, boa noite, pai. Enquanto você não vem, vou lhe escrever uma mensagem, tá legal? Tchau!
Correu para pegar um lápis em seu estojo e me pediu uma folha de papel.
- Mãaaaae, como se escreve “coisa”?
E desatou a escrever, rápido como o ritmo de seu coração, feliz pela idéia genial que teve para se sentir mais perto do pai. Começava com “Querido papai, eu tinha tanta coisa para te mostrar...” e continuava de um jeito... que não foi possível manter meus olhos secos.
- Mãe, podemos rezar para o papai conseguir chegar mais cedo em casa?
Sentamos em sua cama, e ele começou:
- Papai do céu, ajuda o papai a voltar mais cedo do trabalho e a sair mais cedo para o trabalho. Amém.
Depois que li uma história, ele se aninhou no travesseiro e pareceu adormecer. Encostei a porta. Cinco minutos depois, a chave girou na sala com seu barulho inconfundível, que sempre anunciava a chegada de alguém muito amado. Bruno abriu a porta de seu quarto e saiu correndo abraçar o pai.
E como criança tem prioridade na fila de preces, papai do céu fez meu marido dizer, inocente:
- Amanhã, vou sair mais cedo e levar o Bruno para a escola, posso?
E viveram sonolentos e felizes, por todo o dia seguinte.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Pós-graduação: as relações interpessoais na escola e a construção da autonomia moral
Comecei a fazer esta especialização no ano passado movida pela necessidade que senti em conhecer melhor como se dá a recepção da criança e fui atraída especialmente pela disciplina sobre Literatura Infantil. Hoje sou apaixonada por todo o tema e sou mais feliz por conhecer o trabalho de educadores que remam contra a maré para criar um mundo mais ético e pessoas mais felizes.
O que isso tem a ver com meu trabalho como ilustradora? Para mim, tudo. Minha paixão pela Literatura Infantil vai além do desenho. E não consigo me convencer de que não se deve pensar na criança ao criar uma obra literária. Acho que há uma certa confusão com a infantilização da cultura que, aí sim, é menosprezar a inteligência das crianças.
Clicando na imagem, fica mais fácil enxergar as informações.
O que isso tem a ver com meu trabalho como ilustradora? Para mim, tudo. Minha paixão pela Literatura Infantil vai além do desenho. E não consigo me convencer de que não se deve pensar na criança ao criar uma obra literária. Acho que há uma certa confusão com a infantilização da cultura que, aí sim, é menosprezar a inteligência das crianças.
Clicando na imagem, fica mais fácil enxergar as informações.
sábado, 1 de janeiro de 2011
Feliz ano novo!
Hoje é o primeiro dia de 2011. E eu fiz uma promessa ao Bruno para o dia de hoje.
Embora seja difícil de acreditar, quem tem escritório em casa também trabalha muito. Sim, sim, eu sei que é difícil de imaginar como pode ser considerado trabalho uma ocupação que não exige pegar trânsito e nem comer fora, e ainda por cima com uma geladeira, uma TV e um filho do lado. Só pode ser fácil né? Pois nos modernos dias de hoje em que o Home Office é "In" eu ainda passo raiva porque a grande maioria das pessoas não consegue imaginar como pode ser duro trabalhar em casa. Eu nem vou descrever como é, apesar de ser hilário, porque estou aqui para contar sobre a promessa que fiz para o Bruno.
Ele sabe bem, muito bem, que eu tenho meus trabalhos para fazer em casa. E ele percebe como estou ficando esgotada nesse fim de ano (ã, quê? O ano novo já chegou?). Então ele disse:
- Mãe, quando você terminar seu trabalho, você vai poder tirar férias?
- Bruno, quando eu terminar este trabalho, vou começar outro, e eu espero muito que surja outro e que nunca pare de chegar trabalho porque blá blá blá.
- Ahh... mas e se você decidir descansar um dia por mês, que tal? Que tal descansar no primeiro dia de cada mês?
- Isso iria ser bom. Mas agora mamãe tem que trabalhar, eu não posso parar, o cliente está esperando eu terminar este serviço.
- Mas mãe, você tá trabalhando demais! Vamos combinar que no primeiro dia de 2011 você não trabalha?
- Tá bem! Eu prometo!
- Mas... e seus clientes?...
- Eu volto a trabalhar dia 2.
- Então tá legal.
E essa foi minha promessa, que está di-fí-cil de cumprir. Mas falta só mais um minutoooo!!!
Embora seja difícil de acreditar, quem tem escritório em casa também trabalha muito. Sim, sim, eu sei que é difícil de imaginar como pode ser considerado trabalho uma ocupação que não exige pegar trânsito e nem comer fora, e ainda por cima com uma geladeira, uma TV e um filho do lado. Só pode ser fácil né? Pois nos modernos dias de hoje em que o Home Office é "In" eu ainda passo raiva porque a grande maioria das pessoas não consegue imaginar como pode ser duro trabalhar em casa. Eu nem vou descrever como é, apesar de ser hilário, porque estou aqui para contar sobre a promessa que fiz para o Bruno.
Ele sabe bem, muito bem, que eu tenho meus trabalhos para fazer em casa. E ele percebe como estou ficando esgotada nesse fim de ano (ã, quê? O ano novo já chegou?). Então ele disse:
- Mãe, quando você terminar seu trabalho, você vai poder tirar férias?
- Bruno, quando eu terminar este trabalho, vou começar outro, e eu espero muito que surja outro e que nunca pare de chegar trabalho porque blá blá blá.
- Ahh... mas e se você decidir descansar um dia por mês, que tal? Que tal descansar no primeiro dia de cada mês?
- Isso iria ser bom. Mas agora mamãe tem que trabalhar, eu não posso parar, o cliente está esperando eu terminar este serviço.
- Mas mãe, você tá trabalhando demais! Vamos combinar que no primeiro dia de 2011 você não trabalha?
- Tá bem! Eu prometo!
- Mas... e seus clientes?...
- Eu volto a trabalhar dia 2.
- Então tá legal.
E essa foi minha promessa, que está di-fí-cil de cumprir. Mas falta só mais um minutoooo!!!
Mas como ninguém nunca viu o Papai Noel?
O Bruno estava muito desconfiado que o Papai Noel não existia, porque ele ficou muito decepcionado quando soube que eu era a fada dos dentes. Durante o mês, ficou perguntando, perguntando e nós não sabíamos mais o que fazer para prolongar nossa sonhada fantasia de ser o bom velhinho. É tãaaao gostosinho, né? Até contamos a história do São Nicolau, mas ela é tão curtinha, nem dá tempo de enrolar legal.
- Pai. Eu acho que o Papai Noel é você.
- É mesmo?... mas por que você acha isso?
- Porque eu nunca ouvi nenhum barulhinho do Papai Noel chegando. Eu acho que quando eu vou dormir na noite de Natal, você sai de casa, compra meu presente e coloca debaixo da árvore!
Neste natal o Papai Noel ainda foi a figura mitificada pelo refrigerante, mas hoje mesmo ele resolveu reler a carta que veio junto com o presente e ficou desconfiado... acho que foi nosso último Natal em companhia do gorduchinho misterioso...
Assinar:
Postagens (Atom)



