domingo, 20 de julho de 2014
Mas… e como vão as coisas?
O Renato está com 4 meses. O Bruno fez 10 anos e está de férias. Fácil não está sendo não: tenho que varrer o chão mais vezes porque meu cabelo está caindo adoidado. Mas a verdade verdadeira mesmo… é que está tudo na mais santa paz!...
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Bronca merecida
Pois aquela bronca foi muito merecida, ah... se foi!
O sol começou a se pôr e eu fiquei bastante irritada. Mais um dia tinha se acabado com produtividade zero. Na cozinha comecei a guardar a louça ruidosamente e o Bruno veio prestativo:
- Mãe... se acalma. Você sempre me diz que quando estamos nervosos não conseguimos fazer nada direito. Olha, toma um copo d'água.
Mas eu estava nervosa e então não fiz nada direito:
- Eu não quero água. Aliás, você passou a tarde inteira sem tomar água. E é hora de tomar banho.
Ele foi.
Ora essa agora. Eu sem tempo nenhum, lá podia me dar ao luxo de ficar calma? Terminei de arrumar a louça e quando passei perto da porta do banheiro pude perceber que o Bruno falava sozinho no chuveiro e pelo tom suspeitei que tinha a ver comigo. Não dava pra deixar pra lá, eu tinha que respirar fundo, manter a compostura e lhe explicar que minha situação estava complicada.
- Bruno… o que você tem para me dizer?
- Olha mãe… quando você está calma e me dá uma bronca, eu aceito. Porque você é minha mãe, eu sei que você quer o meu bem e eu confio em você. Mas quando você está nervosa e me dá uma bronca… daí não dá pra confiar.
Senti todos os nós musculares de tensão se desfazerem e minhas pernas amolecerem. Minha raiva se derreteu com os hormônios do amor materno circulando pelo corpo. Eu não tinha razão nenhuma, não havia nada a defender e por sorte consegui lhe pedir desculpas como exigia a situação. Fiquei até orgulhosa em receber uma bronca tão justa...
O sol começou a se pôr e eu fiquei bastante irritada. Mais um dia tinha se acabado com produtividade zero. Na cozinha comecei a guardar a louça ruidosamente e o Bruno veio prestativo:
- Mãe... se acalma. Você sempre me diz que quando estamos nervosos não conseguimos fazer nada direito. Olha, toma um copo d'água.
Mas eu estava nervosa e então não fiz nada direito:
- Eu não quero água. Aliás, você passou a tarde inteira sem tomar água. E é hora de tomar banho.
Ele foi.
Ora essa agora. Eu sem tempo nenhum, lá podia me dar ao luxo de ficar calma? Terminei de arrumar a louça e quando passei perto da porta do banheiro pude perceber que o Bruno falava sozinho no chuveiro e pelo tom suspeitei que tinha a ver comigo. Não dava pra deixar pra lá, eu tinha que respirar fundo, manter a compostura e lhe explicar que minha situação estava complicada.
- Bruno… o que você tem para me dizer?
- Olha mãe… quando você está calma e me dá uma bronca, eu aceito. Porque você é minha mãe, eu sei que você quer o meu bem e eu confio em você. Mas quando você está nervosa e me dá uma bronca… daí não dá pra confiar.
Senti todos os nós musculares de tensão se desfazerem e minhas pernas amolecerem. Minha raiva se derreteu com os hormônios do amor materno circulando pelo corpo. Eu não tinha razão nenhuma, não havia nada a defender e por sorte consegui lhe pedir desculpas como exigia a situação. Fiquei até orgulhosa em receber uma bronca tão justa...
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quinta-feira, 17 de julho de 2014
Uma pequena pausa para registrar um auto-lembrete
- Ai, Bruno, tô pifando!!…
- Não pife, mãe, não pife. Você é mãe!
- Não pife, mãe, não pife. Você é mãe!
sexta-feira, 18 de abril de 2014
Conversa de Penico apresenta… Renato!
Conversa de Penico tem o prazer de lhes apresentar o novo integrante dessa família… ele! Que nasceu há quase 1 mês, com 40 semanas e 3 dias de gestação, de parto normal, pesando 4kg e medindo 51,5 centímetros… Reeeenato!!
Sim, já faz quase um mês. É que como em toda casa das antigas com nenê recém-nascido, a rotina se destrambelhou e tudo o que conseguimos fazer foi pensar "mas como é que as pessoas conseguem postar fotos na mesma hora do nascimento?". As bochechas do Renato já cresceram 4 cm e 800 gramas desde então e mesmo assim esse post vem sendo escrito aos tranquinhos, entre mamadas, trocas de fraldas, unhée pra cá e acolá.
E sabe? Tem sido um mês in-crí-vel… não é à toa que se criam os chavões. É que há verdades que quando a gente prova são mesmo verdadeiras. Quando nasce o segundo filho, nasce mesmo mais amor. E mesmo que pareça impossível amar alguém tanto quanto se ama o primeiro, o amor vem grande, nasce junto na hora do parto.
Também foi novidade ver que dá vontade de ter os dois sempre juntos e agarrados na gente. E é como se um amor fosse todo emaranhado no outro, como se fosse um amor só, bem grande, bem gigante. E quando a gente vê o irmãozão perto do irmãozinho, como nessa foto, o coração esquenta e o mundo parece sumir. É lindo.
![]() |
| Esse é o enfeite de porta de maternidade que o Bruno pintou para o irmão |
Sim, já faz quase um mês. É que como em toda casa das antigas com nenê recém-nascido, a rotina se destrambelhou e tudo o que conseguimos fazer foi pensar "mas como é que as pessoas conseguem postar fotos na mesma hora do nascimento?". As bochechas do Renato já cresceram 4 cm e 800 gramas desde então e mesmo assim esse post vem sendo escrito aos tranquinhos, entre mamadas, trocas de fraldas, unhée pra cá e acolá.
E sabe? Tem sido um mês in-crí-vel… não é à toa que se criam os chavões. É que há verdades que quando a gente prova são mesmo verdadeiras. Quando nasce o segundo filho, nasce mesmo mais amor. E mesmo que pareça impossível amar alguém tanto quanto se ama o primeiro, o amor vem grande, nasce junto na hora do parto.
Também foi novidade ver que dá vontade de ter os dois sempre juntos e agarrados na gente. E é como se um amor fosse todo emaranhado no outro, como se fosse um amor só, bem grande, bem gigante. E quando a gente vê o irmãozão perto do irmãozinho, como nessa foto, o coração esquenta e o mundo parece sumir. É lindo.
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domingo, 16 de março de 2014
Falta só um pouquinho...
Estamos na 40a. semana de gestação e a cada dia meu corpo dá novos sinais de que o trabalho de parto vai começar. A ansiedade e a sensação de que ainda faltam detalhes para se acertar se misturam com a necessidade de manter a calma e ir seguindo com a vida normal para não enlouquecer de tanto esperar. E esse caloooorrrrr que não passa!!!... Olho a previsão do tempo para a semana e o sol vai continuar de rachar. A barriga cresce, desce, dói e nada de trabalho de parto. E o calor que não passa. E a lombar que dói. Tem hora que acho que o nenê vai nascer hoje. Tem hora que acho que não vai nascer nunca. Igual esse calor que não vai embora nunca. Desespero de grávida deve ser engraçado de ver, porque parece tudo tão à toa...
Bem, aproveitando esses últimos dias de gestação, vou recomendar o documentário O renascimento do parto. Resista a uma certa antipatia que causa sua página do Facebook por seus depoimentos cheios de mulheres se auto-coroando. Tudo bem, a mulher tem o direito de se sentir de um jeito ou de outro se parir assim ou assado mas, ora, o que importa mesmo é o que o parto vai significar para a criança, para sua saúde, seus laços afetivos, seu desenvolvimento. Mas o filme mesmo não é assim, vale a pena assistir. Ele mostra os benefícios do parto normal ao desenvolvimento do bebê e alerta para o número absurdo de cesáreas desnecessárias no Brasil.
E o parto é só o início. Os estudos não acabam com a apostila do curso de gestante, como muita gente pensa que é. Fico pensando se no momento de engravidar passa pela cabeça das pessoas tudo o que envolve a criação de um filho. E às vezes acho que para muitas delas é só se preocupar com o enxoval do bebê que o resto a vida vai dizer o que fazer, não é preciso nem buscar a informação que ela cai no colo.
Ufa, grávida é mesmo um bichinho duro de aturar, heim? Só reclamação...
É que você não imagina o calor que tá aqui!
Bem, aproveitando esses últimos dias de gestação, vou recomendar o documentário O renascimento do parto. Resista a uma certa antipatia que causa sua página do Facebook por seus depoimentos cheios de mulheres se auto-coroando. Tudo bem, a mulher tem o direito de se sentir de um jeito ou de outro se parir assim ou assado mas, ora, o que importa mesmo é o que o parto vai significar para a criança, para sua saúde, seus laços afetivos, seu desenvolvimento. Mas o filme mesmo não é assim, vale a pena assistir. Ele mostra os benefícios do parto normal ao desenvolvimento do bebê e alerta para o número absurdo de cesáreas desnecessárias no Brasil.
E o parto é só o início. Os estudos não acabam com a apostila do curso de gestante, como muita gente pensa que é. Fico pensando se no momento de engravidar passa pela cabeça das pessoas tudo o que envolve a criação de um filho. E às vezes acho que para muitas delas é só se preocupar com o enxoval do bebê que o resto a vida vai dizer o que fazer, não é preciso nem buscar a informação que ela cai no colo.
Ufa, grávida é mesmo um bichinho duro de aturar, heim? Só reclamação...
É que você não imagina o calor que tá aqui!
sábado, 15 de fevereiro de 2014
O irmão da barriga
- Mãe, é incrível como eu posso amar tanto assim um serzinho que eu nem sei como é... que eu olho... e é uma barriga!
O irmão mais velho da barriga está curtindo com todo o
coração esse tempo de ansiedade e espera pelo companheiro tão desejado. Mais um mês e ele vai poder pintar o segundo
olho de seu boneco Daruma pelo pedido atendido.
O Bruno está participando ativamente dos preparativos, cuidando
de mim, contando as semanas, fazendo planos, querendo ter uma responsabilidade
maior até do que lhe cabe.
Junto com essa vontade toda tem também um pouquinho de
insegurança pela diferença de idade - vão ser quase 10 anos.
- Será que meu irmãozinho vai me amar? Será que eu vou
conseguir brincar com o Renato? Logo logo vou ser adolescente e não vou mais
aproveitar!...
Pra você ver como um comentário nosso pode ser interpretado
de outra maneira por uma criança. A
adolescência pode ser vista como o fim dos tempos!! Imagina só, não ter mais vontade de
brincar! Apocalíptico.
E também rola aquele medinho de ser esquecido.
- Mãe... eu sei que o nenê vai tomar toda a atenção de vocês
no começo, porque ele vai ficar chorando e mamando o tempo todo... mas... e
quanto ao amor? – e me olha com os olhinhos derretidos, quase tristes.
- Não se preocupe, Bruno.
O seu amor é só seu. A gente não
divide o amor que já existe quando começa a gostar de alguém. Nasce mais amor.
E vai ser tão incrível... Duas criaturinhas
inimaginavelmente diferentes pra se amar.
Vai ser delicioso andar na vida de ponta-cabeça novamente.
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
Itadakimassu! - Momento mágico
Hora da janta, um descuido repetido, desperdício, bronca. Limpou-se a lambança, choro e sentimento de injustiça:
- Foi só um acidente, poxa!! Acidentes acontecem!!
- Bruno, o que me deixou brava não foi a bagunça. Foi o desperdício de comida e o desrespeito com o trabalho que eu tive de fazer a janta. Você viu quanto tempo eu levei pra fazer a janta.
Então o rosto dele mudou. Caiu uma ficha nele.
Refiz o prato dele porque, por sorte, ainda havia mais na panela. Jantamos de cara fechada. Quando ele ficou satisfeito, sentou do meu lado.
- Na hora eu achei que você tinha ficado brava por causa da sujeira e fiquei muito confuso. Mas depois entendi. Desculpa.
Eu expliquei pra ele então um conceito que aprendi há pouco tempo de uma prima muito querida: o do "Itadakimassu". "Itadakimassu" é uma palavra que funciona como a oração antes de comer. O conceito mais difundido é o de agradecimento à pessoa que está fazendo a comida. Mas as crianças modernas do Japão estão deixando de falar "Itadakimassu" porque se come muito fora de casa, e então elas pensam "meu pai está pagando pra ele fazer essa comida, eu não preciso agradecer".
Porém esse é um agradecimento que vai além, vai também para os agricultores, para todas as pessoas envolvidas no processo da comida chegar até nossa mesa, para a natureza que possibilitou a existência dessas hortaliças, para o animal que foi sacrificado para nos alimentar.
Pela carinha do Bruno, caiu mais uma ficha. Ele se sentou ainda mais aninhado em mim, como quem quer ouvir mais. Contei mais uns causos clássicos sobre situações extremas de falta de comida. É, a gente gosta de conversar longamente depois de uma briga, uma mania de nosso núcleo familiar, sei lá...
Então perguntei:
- Vai bem uma panquequinha de sobremesa?
Ele ficou perplexo. Depois de tudo, ele ainda ia ganhar uma panqueca?
- Um minutinho, mãe, um minutinho...
Foi até ali e um pouco depois voltou:
- Dessa vez eu é que vou fazer o sacrifício de fazer a panqueca!
E ficou fofinha que só com amor mesmo. Repartida como nas aulas de fração.
E assim tivemos mais um momento mágico...
- Foi só um acidente, poxa!! Acidentes acontecem!!
- Bruno, o que me deixou brava não foi a bagunça. Foi o desperdício de comida e o desrespeito com o trabalho que eu tive de fazer a janta. Você viu quanto tempo eu levei pra fazer a janta.
Então o rosto dele mudou. Caiu uma ficha nele.
Refiz o prato dele porque, por sorte, ainda havia mais na panela. Jantamos de cara fechada. Quando ele ficou satisfeito, sentou do meu lado.
- Na hora eu achei que você tinha ficado brava por causa da sujeira e fiquei muito confuso. Mas depois entendi. Desculpa.
Eu expliquei pra ele então um conceito que aprendi há pouco tempo de uma prima muito querida: o do "Itadakimassu". "Itadakimassu" é uma palavra que funciona como a oração antes de comer. O conceito mais difundido é o de agradecimento à pessoa que está fazendo a comida. Mas as crianças modernas do Japão estão deixando de falar "Itadakimassu" porque se come muito fora de casa, e então elas pensam "meu pai está pagando pra ele fazer essa comida, eu não preciso agradecer".
Porém esse é um agradecimento que vai além, vai também para os agricultores, para todas as pessoas envolvidas no processo da comida chegar até nossa mesa, para a natureza que possibilitou a existência dessas hortaliças, para o animal que foi sacrificado para nos alimentar.
Pela carinha do Bruno, caiu mais uma ficha. Ele se sentou ainda mais aninhado em mim, como quem quer ouvir mais. Contei mais uns causos clássicos sobre situações extremas de falta de comida. É, a gente gosta de conversar longamente depois de uma briga, uma mania de nosso núcleo familiar, sei lá...
Então perguntei:
- Vai bem uma panquequinha de sobremesa?
Ele ficou perplexo. Depois de tudo, ele ainda ia ganhar uma panqueca?
- Um minutinho, mãe, um minutinho...
Foi até ali e um pouco depois voltou:
- Dessa vez eu é que vou fazer o sacrifício de fazer a panqueca!
E ficou fofinha que só com amor mesmo. Repartida como nas aulas de fração.
E assim tivemos mais um momento mágico...
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