sexta-feira, 17 de junho de 2011

Ombudsmãe


Ontem na pós conhecemos a Tais Vinha, que escreve o blog Ombudsmãe.  Mãe engajada, inspiradora.  Conhece o blog?  Imperdível para quem é adepto da maternidade lúcida e pró-felicidade.  De quebra, vai dar bastante risada.
Sensacional, fica aqui a dica. 




sexta-feira, 10 de junho de 2011

Primeiros apontamentos profissionais

Ontem cheguei tarde em casa e havia um recado para que eu olhasse o caderno sobre a mesa.  Eram anotações sobre como fazer um desenho animado, que Bruno anotou assistindo a um vídeo do Mundo da Criança, o mesmo.  Eu sei, eu sei que certas substâncias só são ativadas pelo organismo se o sujeito for pertencente à mesma linhagem corujística, mas... este é um blog de pais, ué, o que você esperava??


Recortando e colando trechos de diálogos sobre o futuro profissional dele:

- Mãe!  Quando eu crescer eu vou ser desenhista-de-desenhos-animados-de-personagens-de-jogos-de-videogame. 

- Mãe, quem inventa a história não é o mesmo que faz os desenhos?  E quem faz os movimentos não pode inventar o personagem?  Eu não quero ser o que faz as vozes... então eu vou ser... eu vou ser...

- Mãe, eu vou ter meu próprio canal de desenhos-animados-de-personagens-de-jogos-de-videogame.  Porque se eu trabalhar numa outra empresa, eu só vou desenhar a história dos outros, eu nunca vou desenhar minha própria história!

- Já decidi qual vai ser o nome da minha empresa! Vai ser ......... !

Não te conto, não conto-o!  Daqui a uns 20 anos você vai saber.  ;-)

7 anos!

Quando o Bruno tinha uns 2, 3 anos, ouvíamos muito "ah... essa fase é tão gostosa... aproveite, porque depois, viu!".  A fase do "viu!" ainda não chegou para nós, continua sendo uma curtição descobrir o mundo com filhote.   É ele quem devolve nossos pés ao chão, pois adulto muitas vezes se esquece o que significa viver realmente.

O penico só sobrou na lembrança e é incrível imaginar que o que era um feijãozinho no ultrassom possa hoje ter tantas delas... 


terça-feira, 3 de maio de 2011

Como foi que escolheram meu nome?

Na escola, o Bruno está estudando sobre a passagem do tempo e o desenvolvimento do ser humano.  Eles estudaram a própria certidão de nascimento e pela primeira vez ele se deparou com os nomes completos dos avós.  Hoje, como lição de casa, ele ia fazer uma entrevista com os pais e começou a me contar no carro:

- Mãe, preciso te perguntar: como foi que vocês escolheram meu nome?

- Bem, primeiro nós pesquisamos sites de nomes de bebês  e anotamos os que mais gostamos.  Então conversamos "Ah, esse eu não gosto", "ah, este é legal".  Depois ficamos muitos dias tentando decidir entre os nomes preferidos.

Foi delicioso lembrar de nossa angústia na escolha do nome do bebê e de que já sabíamos bem como ele era de personalidade, antes mesmo de nascer...

Depois desse pequeno instante de silêncio, meu bebê exclamou indignado:

- Vocês escolheram meu nome pela... Internet????

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Incentivo à não leitura

Eram férias de janeiro e estávamos os três curtindo a ala infantil da Livraria Cultura.  Láaa no cantinho, beeeem no fundo, uma mãe puxou nervosa seu filho de cerca de 10 anos e lhe perguntou:

- Olha.  Tá aqui.  Quantos você vai ler?
- Mas mãe...
- TEM QUE LER.  QUANTOS VOCÊ VAI LER?
- Um.
- Um não. Quatro.
- Um.
- Então três.
- Dois.
- Tá bom, tá bom, dois então.  Vamo, escolhe logo, quais você quer ler? (...) Vamo, rápido, escolhe logo que eu quero sair daqui.

A bronca estava doendo em mim, então me movi para sair de perto.  Foi inevitável: ao me virar e dar um passo, num só relance vi que os livros que a mãe havia espalhado no balcão para o menino escolher eu não diria nem para o Bruno ler com seus 6 anos.  Era uma coleção de qualidade literária duvidosa, comercial, fininhos e claramente inadequados (para não dizer tontos) para um menino tão grande.

Quase chorando, o menino disse:

- Mãe, se você faz assim eu não consigo escolher!...

Aí sim a mãe foi delicada:

- ESCOLHE LOGO QUE EU NÃO AGUENTO MAIS FICAR AQUI!

Pobre mãe, tão pressionada pelo incentivo à leitura.  Embora tenha ficado muito indignada com sua postura, não a culpo, pois ninguém conseguiu fazê-la gostar de ler, ela mesma é vítima.

Hoje é dia nacional do livro infantil.  Eu sou absolutamente apaixonada por livro infantil e mesmo assim estou bem entediada com esses milhões de dias do livro que mais igualam o livro ao agrião.

Não se ensina o filho a gostar de livro (nem de agrião) se os pais e professores não tiverem este amor, verdadeiramente.  “Tem que comer”...ops.. “ler!” – não é lá muito motivador.

E não adianta disfarçar o livro de brinquedo.  Há espaço para tudo, mas oferecer um livro piscante ou com o personagem da moda achando que está incentivando a leitura é engano.  É como misturar o agrião bem picadinho no meio do feijão.

Também acho que teatrinhos e filminhos contando a história de um menino triste que descobriu a felicidade dentro dos livros só causa mais aversão.

Antes de promover um incentivo à leitura dentro de casa, o adulto precisa se convencer de que ele mesmo gosta de ler.  E não é preciso ser erudito, basta ler o que se gosta de ler, com prazer verdadeiro.  Difícil saber como começar? Pode ser o caderno de automóveis do jornal, revista feminina, folheto de supermercado.  Sei que não é fácil começar a gostar de agrião.  

Bem, foi mais um desabafo, porque sei que quem teve paciência para ler um post tão grande deve gostar bastante de ler. 

Aproveitando o gancho: já provou o agrião só com seus talos mais fininhos?  Ou mesmo só a folhinha?  Aquele talo grosso, quando colocado na sopa, murcha e perde o “ardido”, além de funcionar como um canudinho.  E refogado? Uhmmm...
 

quinta-feira, 17 de março de 2011

Ser filho numa metrópole

Quando fui buscar o Bruno na escola, ele já tinha planos para sua tarde:

- Mãe, quando eu chegar em casa vou fazer um livro. Você sabe, né, eu quero ser autor de livros quando crescer. E hoje vou desenhar uma história sobre os Angry Birds.

- Sobre o joguinho de celular?

- É, do celular do papai. Já que hoje eu não posso jogar porque papai está trabalhando, vou fazer um livro e mostrar para ele à noite.


Mas a noite chegou e seu pai não.

Era hora de dormir e tudo o que restava fazer era telefonar e lhe perguntar se estava perto ou se ainda estava preso no trânsito.

- Pai, onde você está?... ainda?!?! Aaaahh... – e desligou sem se despedir, tão frustrado que estava. – Papai ainda está no trabalho! Não é justo! Por que ele chega tão tarde em casa?

- É porque ele anda trabalhando muito, querido.

- Então deveria ser o contrário, ué. Se ele está trabalhando muito, deveria terminar o serviço logo e voltar cedo para casa.

Vestiu o pijama chorando. E eu fiquei pensando em quantas casas de São Paulo a cena se repetia naquele mesmo instante. Ele me pediu que o ajudasse. Como eu gostaria de consertar a rotina metropolitana, Bruno... Tudo o que pude lhe dizer foi que ele poderia ligar para conversar um pouco com o pai e lhe dizer boa noite. No começo ele achou que não era suficiente, mas respirou fundo, enxugou as lágrimas e discou o número do celular do pai.

- Pai... você pode conversar um pouco comigo?

Durante a conversa, seu coração foi se amansando com o colo que recebia via telefone. Contou-lhe sobre seu dia na escola, sobre o livro que tinha começado. E ainda recebeu a boa notícia de que papai estava a caminho de casa.

- Então, boa noite, pai. Enquanto você não vem, vou lhe escrever uma mensagem, tá legal? Tchau!

Correu para pegar um lápis em seu estojo e me pediu uma folha de papel.

- Mãaaaae, como se escreve “coisa”?

E desatou a escrever, rápido como o ritmo de seu coração, feliz pela idéia genial que teve para se sentir mais perto do pai. Começava com “Querido papai, eu tinha tanta coisa para te mostrar...” e continuava de um jeito... que não foi possível manter meus olhos secos.

- Mãe, podemos rezar para o papai conseguir chegar mais cedo em casa?

Sentamos em sua cama, e ele começou:

- Papai do céu, ajuda o papai a voltar mais cedo do trabalho e a sair mais cedo para o trabalho. Amém.

Depois que li uma história, ele se aninhou no travesseiro e pareceu adormecer. Encostei a porta. Cinco minutos depois, a chave girou na sala com seu barulho inconfundível, que sempre anunciava a chegada de alguém muito amado. Bruno abriu a porta de seu quarto e saiu correndo abraçar o pai.

E como criança tem prioridade na fila de preces, papai do céu fez meu marido dizer, inocente:

- Amanhã, vou sair mais cedo e levar o Bruno para a escola, posso?

E viveram sonolentos e felizes, por todo o dia seguinte.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Pós-graduação: as relações interpessoais na escola e a construção da autonomia moral

Comecei a fazer esta especialização no ano passado movida pela necessidade que senti em conhecer melhor como se dá a recepção da criança e fui atraída especialmente pela disciplina sobre Literatura Infantil.  Hoje sou apaixonada por todo o tema e sou mais feliz por conhecer o trabalho de educadores que remam contra a maré para criar um mundo mais ético e pessoas mais felizes.

O que isso tem a ver com meu trabalho como ilustradora?   Para mim, tudo.  Minha paixão pela Literatura Infantil vai além do desenho.  E não consigo me convencer de que não se deve pensar na criança ao criar uma obra literária.  Acho que há uma certa confusão com a infantilização da cultura que, aí sim, é menosprezar a inteligência das crianças.  


 Clicando na imagem, fica mais fácil enxergar as informações.