sexta-feira, 18 de abril de 2014

Conversa de Penico apresenta… Renato!

Conversa de Penico tem o prazer de lhes apresentar o novo integrante dessa família… ele!  Que nasceu há quase 1 mês, com 40 semanas e 3 dias de gestação, de parto normal, pesando 4kg e medindo 51,5 centímetros… Reeeenato!!


Esse é o enfeite de porta de maternidade que o Bruno pintou para o irmão

Sim, já faz quase um mês.  É que como em toda casa das antigas com nenê recém-nascido, a rotina se destrambelhou e tudo o que conseguimos fazer foi pensar "mas como é que as pessoas conseguem postar fotos na mesma hora do nascimento?".  As bochechas do Renato já cresceram 4 cm e 800 gramas desde então e mesmo assim esse post vem sendo escrito aos tranquinhos, entre mamadas, trocas de fraldas, unhée pra cá e acolá.

E sabe?  Tem sido um mês in-crí-vel… não é à toa que se criam os chavões.  É que há verdades que quando a gente prova são mesmo verdadeiras.  Quando nasce o segundo filho, nasce mesmo mais amor.  E mesmo que pareça impossível amar alguém tanto quanto se ama o primeiro, o amor vem grande, nasce junto na hora do parto.

Também foi novidade ver que dá vontade de ter os dois sempre juntos e agarrados na gente.  E é como se um amor fosse todo emaranhado no outro, como se fosse um amor só, bem grande, bem gigante.  E quando a gente vê o irmãozão perto do irmãozinho, como nessa foto, o coração esquenta e o mundo parece sumir.  É lindo.





domingo, 16 de março de 2014

Falta só um pouquinho...

Estamos na 40a. semana de gestação e a cada dia meu corpo dá novos sinais de que o trabalho de parto vai começar.  A ansiedade e a sensação de que ainda faltam detalhes para se acertar se misturam com a necessidade de manter a calma e ir seguindo com a vida normal para não enlouquecer de tanto esperar.  E esse caloooorrrrr que não passa!!!... Olho a previsão do tempo para a semana e o sol vai continuar de rachar.  A barriga cresce, desce, dói e nada de trabalho de parto.  E o calor que não passa.  E a lombar que dói. Tem hora que acho que o nenê vai nascer hoje.  Tem hora que acho que não vai nascer nunca. Igual esse calor que não vai embora nunca. Desespero de grávida deve ser engraçado de ver, porque parece tudo tão à toa...

Bem, aproveitando esses últimos dias de gestação, vou recomendar o documentário O renascimento do parto.  Resista a uma certa antipatia que causa sua página do Facebook por seus depoimentos cheios de mulheres se auto-coroando.   Tudo bem, a mulher tem o direito de se sentir de um jeito ou de outro se parir assim ou assado mas, ora, o que importa mesmo é o que o parto vai significar para a criança, para sua saúde, seus laços afetivos, seu desenvolvimento.  Mas o filme mesmo não é assim, vale a pena assistir.  Ele mostra os benefícios do parto normal ao desenvolvimento do bebê e alerta para o número absurdo de cesáreas desnecessárias no Brasil.



E o parto é só o início.  Os estudos não acabam com a apostila do curso de gestante, como muita gente pensa que é.  Fico pensando se no momento de engravidar passa pela cabeça das pessoas tudo o que envolve a criação de um filho.   E às vezes acho que para muitas delas é só se preocupar com o enxoval do bebê que o resto a vida vai dizer o que fazer, não é preciso nem buscar a informação que ela cai no colo.

Ufa, grávida é mesmo um bichinho duro de aturar, heim?  Só reclamação...
É que você não imagina o calor que tá aqui!



sábado, 15 de fevereiro de 2014

O irmão da barriga


- Mãe, é incrível como eu posso amar tanto assim um serzinho que eu nem sei como é... que eu olho... e é uma barriga!

O irmão mais velho da barriga está curtindo com todo o coração esse tempo de ansiedade e espera pelo companheiro tão desejado.  Mais um mês e ele vai poder pintar o segundo olho de seu boneco Daruma pelo pedido atendido.

O Bruno está participando ativamente dos preparativos, cuidando de mim, contando as semanas, fazendo planos, querendo ter uma responsabilidade maior até do que lhe cabe.

Junto com essa vontade toda tem também um pouquinho de insegurança pela diferença de idade - vão ser quase 10 anos. 

- Será que meu irmãozinho vai me amar? Será que eu vou conseguir brincar com o Renato? Logo logo vou ser adolescente e não vou mais aproveitar!...

Pra você ver como um comentário nosso pode ser interpretado de outra maneira por uma criança.  A adolescência pode ser vista como o fim dos tempos!!  Imagina só, não ter mais vontade de brincar!  Apocalíptico.

E também rola aquele medinho de ser esquecido.

- Mãe... eu sei que o nenê vai tomar toda a atenção de vocês no começo, porque ele vai ficar chorando e mamando o tempo todo... mas... e quanto ao amor? – e me olha com os olhinhos derretidos, quase tristes.

- Não se preocupe, Bruno.  O seu amor é só seu.  A gente não divide o amor que já existe quando começa a gostar de alguém.  Nasce mais amor.

E vai ser tão incrível... Duas criaturinhas inimaginavelmente diferentes pra se amar.  Vai ser delicioso andar na vida de ponta-cabeça novamente. 





sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Itadakimassu! - Momento mágico

Hora da janta, um descuido repetido, desperdício, bronca.  Limpou-se a lambança, choro e sentimento de injustiça:

- Foi só um acidente, poxa!!  Acidentes acontecem!!

- Bruno, o que me deixou brava não foi a bagunça.  Foi o desperdício de comida e o desrespeito com o trabalho que eu tive de fazer a janta.  Você viu quanto tempo eu levei pra fazer a janta.

Então o rosto dele mudou.  Caiu uma ficha nele.

Refiz o prato dele porque, por sorte, ainda havia mais na panela.  Jantamos de cara fechada.  Quando ele ficou satisfeito, sentou do meu lado.

- Na hora eu achei que você tinha ficado brava por causa da sujeira e fiquei muito confuso.  Mas depois entendi.  Desculpa.

Eu expliquei pra ele então um conceito que aprendi há pouco tempo de uma prima muito querida: o do "Itadakimassu".  "Itadakimassu" é uma palavra que funciona como a oração antes de comer.  O conceito mais difundido é o de agradecimento à pessoa que está fazendo a comida.  Mas as crianças modernas do Japão estão deixando de falar "Itadakimassu" porque se come muito fora de casa, e então elas pensam "meu pai está pagando pra ele fazer essa comida, eu não preciso agradecer".

Porém esse é um agradecimento que vai além, vai também para os agricultores, para todas as pessoas envolvidas no processo da comida chegar até nossa mesa, para a natureza que possibilitou a existência dessas hortaliças, para o animal que foi sacrificado para nos alimentar.

Pela carinha do Bruno, caiu mais uma ficha.  Ele se sentou ainda mais aninhado em mim, como quem quer ouvir mais.  Contei mais uns causos clássicos sobre situações extremas de falta de comida.  É, a gente gosta de conversar longamente depois de uma briga, uma mania de nosso núcleo familiar, sei lá...

Então perguntei:

- Vai bem uma panquequinha de sobremesa?

Ele ficou perplexo.  Depois de tudo, ele ainda ia ganhar uma panqueca?

- Um minutinho, mãe, um minutinho...

Foi até ali e um pouco depois voltou:

- Dessa vez eu é que vou fazer o sacrifício de fazer a panqueca!

E ficou fofinha que só com amor mesmo.  Repartida como nas aulas de fração.


E assim tivemos mais um momento mágico...


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Lambuzar é preciso



Amo essa foto.  Aqui o Bruno tinha 11 meses.  Pra matar a curiosidade, os alimentos que posam para a foto são arroz, feijão preto (não era feijoada não, heim), beterraba e uma verdura irreconhecível.  E posso garantir que  a lembrança mais forte dessa época não é a de ficar limpando o chão.  É a de ver a carinha dele se deliciando.  A lambança não foi em vão: hoje ele adora brócolis, quiabo, bardana, tofu.

O que me fez sacar essa foto do fundo do baú foi este post sobre um método de introduzir alimentos sólidos a bebês que eu não conhecia:


Eu não teria coragem de oferecer uma coxa de frango a um nenê de 6 meses como o do primeiro vídeo, mas esses exemplos extremos são inspiradores para reavaliar medos, neuras, conceitos de assepsia e preguiças.


quarta-feira, 3 de julho de 2013

Para um dia se lembrarem




Desejo me lembrar desse instante para sempre.  Não quero me esquecer do quanto gosto de ver como seus traços são tão parecidos, como são tão companheiros, cúmplices, tão filho de um e pai do outro. 

Quero também que vocês não se esqueçam. Vêem? Como é especial esse minuto? Percebem que esse instante tão corriqueiro, na sala de casa, num abraço, numa partida de xadrez, numa caprichada escovação de dentes, num jogo do Brasil, na passada hora de dormir, é o que depois vai ter sido importante? A vida de vocês, juntos, pai e filho.  Queria tanto que vissem o que eu posso ver daqui de canto.  Que esse minuto de vocês, juntos, não vão lembrar por inteiro.  Que vai se acabar e que amanhã já quase não terá importância.

Mas olhem, meninos, amanhã é muito cedo.  Amanhã essa lembrança não vale nada, mas quando esse pequenino crescer, quando tudo estiver às avessas, esse minuto será a vaga lembrança, cada dia mais nítida, do que vocês verdadeiramente são. 


domingo, 30 de junho de 2013

Momento mágico do lençol branco

Eu ainda não tenho coragem de levar o Bruno para uma manifestação.  Mas também não podia deixar passar batida aquela segunda-feira marcante da história de nosso país.  Foi uma segunda em que até o ar da manhã estava diferente, afoito, ansioso pelas badaladas das 17h.

Então peguei o lençol branco e andei de uma janela a outra do apartamento, até encontrar uma em que ela ficasse bonitona balançando ao vento do décimo oitavo andar.

O Bruno até tentou se manter indiferente em meio aos seus games, mas não é sempre que a mãe se põe a colocar um lençol branco na janela por causa de uma notícia da TV.  Algo diferente estava acontecendo, ele sabia.

- Olha, Bruno, toda essa gente está se reunindo para uma manifestação.

- Deixa eu ver quem mais colocou lençol branco na janela. (...) Xii, mãe, nós somos os únicos aqui do nosso condomínio.

- Não tem problema não, Bruno, a gente faz nossa parte.

Uma parte tão pequena, eu sei, naquele momento era uma participação muito miúda.  Só que eu sei, eu realmente acredito que assim, pequenininho, estou participando de uma maneira grande sim, formando um cidadão.

- Olha mãe, já estão contando que são 40 mil!

E juntando um pequeno cidadão aqui e outro acolá, de repente temos uma nação que cresce.

- E no Rio de Janeiro já são 100 mil!!!

E assim, simbolicamente, o Bruno guardou com carinho sua participação naquela segunda-feira de manifestações.  Acompanhou maravilhado a multidão tomando as ruas do país, mostrou  com entusiasmo ao pai o lençol branco balançando no escuro, contou-lhe sobre os números de manifestantes  - que na hora não importava se eram 65, 100 mil, um milhão.  Eram muitos.

Aquele dia, naquele dia, eu sei que não foi nada.  Só que eu acredito que esse esporo de cidadania um dia vai eclodir da memória, em forma de força extra para fazer a sua, a sua parte, na confiança sobre a união de forças, numa luta que pode parecer solitária olhando daqui da janela.

Amanhã vai ser maior.  Tudo começa pequeno. Amanhã vai ser maior!...