segunda-feira, 19 de julho de 2010

Pizza e cores

- Bruno, do que você quer a pizza?
- Eu quero de milho!!
- Hmmm, deixa eu ver... Vou pedir essa de milho verde com queijo, tá?
- Ah... Eu queria de milho amarelo...
:-)

terça-feira, 6 de julho de 2010

Na luta pelos direitos das escovas de dente

Nesta noite, a história escolhida foi uma sobre a imigração no Brasil, uma revista em quadrinhos da Turma da Mônica.  Lá se contava que na Europa os operários estavam sendo substituídos por máquinas e que muita gente ficou desempregada, então vieram ao Brasil tentar uma nova vida.

Terminada a história, era hora de escovar os dentes.  Olhei para a escova e disse:

- Ih, Bruno, essa escova já está toda aberta, vamos ter que trocar.

- Você vai substituí-la? - o grifo é devido ao esforço que o menino fez para usar uma palavra que tinha acabado de ouvir no gibi.

- Sim, ela vai ser substituída.

- Mas ela não vai perder o emprego, vai???

Bem, sob protestos do sindicato acordamos que a velha escova de dentes seria realocada no setor de artes da casa.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Hã, o quê? Copa do Mundo?

Ahhh, Copa do Muuundo... todo o país enfeitado de verde-amarelo, a paixão pelo futebol que toma conta das ruas...


Bruno e Ricardo numa loja de artigos esportivos.  De frente para o uniforme canarinho, o pai tentou criar um pré-clima de torcida.

- Sabe de quem é essa camiseta?

- Errr... do São Paulo?

- Ó, leia aqui...

- [Braaasil...]  É do Brasil, pai.

- E esta aqui? - perguntou Ricardo orgulhoso apontando pra camiseta de seu time.

- [Reeebok.] É da Rebok, pai.

(Esclarecimento: na foto acima, o Bruno foi jogar futebol com o pai.  Em poucos minutos a pobre bola ficou de canto e a brincadeira virou guerra de alienígenas e depois uma tourada)

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Momento mágico do chá

Uma fria e corriqueira noite de outono.  O fiel escudeiro oficial de videogame do Bruno ia chegar tarde, então eu assumi o controle reserva do Super Mario Galaxy 2.  Ao final, demos uma voltinha por sua nave espacial em forma de cara e vimos uma mesinha com chá posto para dois.  Uhhmm... fomos para a cozinha fazer um de verdade.


Preparamos o chá juntos, o que pode não parecer nada mas que já é uma gostosa experiência culinária para quem acaba de fazer 6 anos.  Cheirinho de gengibre no ar, o mel descendo em fio na xícara.  Um de cada lado da mesinha na cozinha, sentamos e tomamos nosso chá, devagar e conversando.  Cena pra lá de insosa para quem vê.  Aqui dentro é que tudo rolava.

Lembrei de quando ele almoçava no cadeirão, com o chão forrado de jornal.  Agora ele estava ali, na minha frente, tomando um chá e conversando comigo. Em seu copo plástico, lambendo o beiço com a linguinha de lado, mas tudo com uma aura cintilante.

Não sei se essa noite ficará guardada na memória do Bruno como um momento mágico, mas na minha vai.  Este é um daqueles flashes  que aparecem de repente na cabeça, nos tiram do ar por um instante e nos fazem sorrir.

Inesperado, simples, difícil de contar.  Um momento mágico com certeza...

terça-feira, 25 de maio de 2010

Aniversário executivo

Claaaro que o Bruno está ansioso para seu aniversário.  Há um mês ele pediu que tivesse uma piñata e ao longo do mês já foi planejando outras brincadeiras.  Festa bem miudinha e caseira, menos de meia dúzia de crianças, e ele está curtindo os preparativos tanto, tanto... e eu também né, hehehe.  Quando eu era criança, montava barraquinhas imaginárias de jogos nas festinhas de aniversário na varanda de casa.  É tãaao divertido poder fazer isso com habilidade de adulto e pistola de cola quente!

Começamos a fazer a piñata, enchemos os saquinhos-surpresa, desenhamos o cartaz do burro (aquele famoso, que não tem rabo), reciclamos uns enfeites e montamos um jogo com uma caixa de papelão. 

E ele me disse que queria participar de tudo, que não era para eu fazer nada sozinha.   E que achava que tinha que testar todos os jogos. Também começou a falar que precisaríamos ter uma ordem certa para as brincadeiras. Eu só não esperava um profissionalismo tão grande:

- Sabe, antes da minha festa vai ter uma reunião.  Vai ser uma reunião para dizer aos convidados qual vai ser a ordem certa das brincadeiras!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

O aluno ensina

Ontem o Bruno estava a mil com sua produção filosófica, então aqui vai outro post no mesmo dia:

Estou fazendo pós graduação em Educação, um curso que se chama "As relações interpessoais na escola e a construção da autonomia moral".  Para mim é tudo novidade, pois não tenho formação em Educação.  Estava estudando os textos do primeiro módulo e vi que tradicionalmente se pensa que o professor ensina e o aluno aprende.  Há também os que defendem que o aluno aprende e que o professor não deve interferir.  Mas sob os conceitos do construtivismo, a educação se dá numa via de duas mãos, o professor ensina e o aluno aprende, mas também o professor aprende e o aluno ensina.  E só quando o professor aprender do aluno é que ele será capaz de ensinar plenamente.

Deixei o texto de lado e fui lá ser mãe:

- Bruno, é bom fazer a lição de casa.

E ouço:  Grrrrrr... Plaf, Pum, Grrrrrrrrr, eu não quero! Pof, catapof, Grrrrr!

- Ô mãe!! Eu ainda estou nervoso.  Você precisa me acalmar!  Quando eu não consigo me acalmar sozinho você me ajuda, é assim que funciona!!

- Olha Bruno, você precisa aprender a controlar sozinho a sua raiva e blá blá blá blá... - até que num dado momento ele estava no meu colo - blá blá blá... Está calmo agora?  Vamos fazer lição?

- Vamos!

Terminado, ele estava orgulhoso por ter resolvido o desafio e eu pude continuar meus estudos.   Ele estava tão contente que foi guardar a pasta cantarolando:

- Eu adooro a minha escoooola!  Lá eu aprendo um montãaaao e a professora ensiiiiiinaaaaa e apreeendeee!

(!!!!)

Leitura de mãos manejando durex

Ontem fomos comprar presentes de aniversário para amigos do Bruno.

A vendedora fez os pacotes com uma má-vontade nota 10. Não era falta de jeito, na qual não há problema algum,  era falta de vontade mesmo.  E como aprecio a arte de fazer pacotes, estava cheia de comichão ao ver aquelas mãos que mal conseguiam levantar do balcão e que baixavam tombando sobre o pacote, o durex grudado torto onde não era pra ter durex, etiqueta da loja sendo usada como durex por todos lados, a cabeça pendida pro lado...

O clima era pesado, e eu no meu exoterismo pensei na energia ruim que pairava ali.  Pensei em muita coisa, eu até me prometia a mim mesma que jamais deixaria que a rotina chegasse ao ponto de eu agir daquela maneira.  Bem, mas tudo eram pensamentos meus, algo que ebulia internamente, mania minha.

Então o Bruno foi mais além e entendeu tudo.  Ele virou pra mim e disse:

- Ela não tá feliz?

Desejei que a moça tivesse escutado. Que ela ouvisse aquilo e tomasse uma atitude.

Pendurei a pergunta na minha gargantilha, para olhar de vez em quando no espelho e lembrar da lição, como um checkup da saúde da alma.