Eu ainda não tenho coragem de levar o Bruno para uma manifestação. Mas também não podia deixar passar batida aquela segunda-feira marcante da história de nosso país. Foi uma segunda em que até o ar da manhã estava diferente, afoito, ansioso pelas badaladas das 17h.
Então peguei o lençol branco e andei de uma janela a outra do apartamento, até encontrar uma em que ela ficasse bonitona balançando ao vento do décimo oitavo andar.
O Bruno até tentou se manter indiferente em meio aos seus games, mas não é sempre que a mãe se põe a colocar um lençol branco na janela por causa de uma notícia da TV. Algo diferente estava acontecendo, ele sabia.
- Olha, Bruno, toda essa gente está se reunindo para uma manifestação.
- Deixa eu ver quem mais colocou lençol branco na janela. (...) Xii, mãe, nós somos os únicos aqui do nosso condomínio.
- Não tem problema não, Bruno, a gente faz nossa parte.
Uma parte tão pequena, eu sei, naquele momento era uma participação muito miúda. Só que eu sei, eu realmente acredito que assim, pequenininho, estou participando de uma maneira grande sim, formando um cidadão.
- Olha mãe, já estão contando que são 40 mil!
E juntando um pequeno cidadão aqui e outro acolá, de repente temos uma nação que cresce.
- E no Rio de Janeiro já são 100 mil!!!
E assim, simbolicamente, o Bruno guardou com carinho sua participação naquela segunda-feira de manifestações. Acompanhou maravilhado a multidão tomando as ruas do país, mostrou com entusiasmo ao pai o lençol branco balançando no escuro, contou-lhe sobre os números de manifestantes - que na hora não importava se eram 65, 100 mil, um milhão. Eram muitos.
Aquele dia, naquele dia, eu sei que não foi nada. Só que eu acredito que esse esporo de cidadania um dia vai eclodir da memória, em forma de força extra para fazer a sua, a sua parte, na confiança sobre a união de forças, numa luta que pode parecer solitária olhando daqui da janela.
Amanhã vai ser maior. Tudo começa pequeno. Amanhã vai ser maior!...
domingo, 30 de junho de 2013
quarta-feira, 5 de junho de 2013
9 anos: xeque-mate
9 anos!... Quando foi que tudo isso aconteceu? Se quando o Conversa de Penico começou ele era campeão de frases fofas, hoje ele é um grande estrategista nos argumentos.
(Psiiiu... não conta pra ele que eu continuo achando ele fofo... é meu filhote, vou fazer o quê?!?!)
Ele andou uns dias testando até onde ia nosso limite quanto aos seus horários. Apesar de ser responsável por administrar seu tempo para fazer lição de casa e suas tarefas, andava adiando, adiando, até que chegou o dia em que eu disse que era hora de dormir e só então ele foi fazer lição. Aí pegou.
- Bruno, você não está mostrando que tem responsabilidade pra controlar seus horários. A partir de agora, eu é que vou controlar seus horários.
- O quê?? Eu vou ter que seguir os horários que você mandar?
- Sim. Só vai brincar e assistir TV depois de fazer todas as suas tarefas. E pra ter de volta sua liberdade com os horários, vai ter que me provar que é responsável o suficiente pra isso.
Uhm. Pra quê, né?
- Mas mãe!... se eu não posso controlar meus horários, como é que eu vou poder provar que posso controlar meus horários?!?!
Não adianta, não há espaço para deslizes. Sempre há uma brecha na legislação que ameaça a ordem.
Por outro lado, com tanta maturidade, ele também toma conta de mim:
- Mãe... o que você tem? Você tá bem? - ele disse, meio alarmado
- Tô sim, Bruno. Só tô com sono, muito, muito sono.
E fui para o computador. O Bruno veio atrás.
- Mãe!!! Se é só facebook, vai dormir!!!
E assim, de xeque em xeque, vamos entrando na pré-adolescência. E eu fico aqui pensando até quando será que vou continuar achando ele um fofo...
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segunda-feira, 25 de março de 2013
O brincar de hoje e o de sempre
Um dia estávamos pintando um quarto aqui em casa e desligamos o modem. Passa uma hora, passam duas, até que o Bruno perguntou ao pai:
- Quanto tempo vamos ficar sem Internet?
- Acho que o dia todo, filho.
- O QUÊ?!?! O dia todo??? Como é que eu vou ficar o dia todo sem Internet??
E como "ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais"...
- Sabia que quando eu era criança nem existia Internet? A gente passava todos os dias sem Internet.
Pronto. Com a bola levantada, Bruno fez ponto:
- É. Não tinha Internet, mas tinha quintal!
Só para lembrar o que muitos já dizem por aí, nada adianta proibir a criança de ver televisão ou de jogar videogame. Se ela mora num apartamento, que opções ela tem? O Bruno ainda é filho único e seus brinquedos têm a péssima mania de não serem tão divertidos quanto brincar com outras crianças.
Ué, e por que não levamos ele para brincar no campo, por que não mudamos para uma casa, por que não saímos de São Paulo? Talvez estejamos enroscados demais na rotina da cidade e de todo o trabalho diário que ela nos exige que nem sabemos fazer isso, como se estivéssemos correndo sem parar numa esteira de academia, de frente para uma parede de vidro. Sabendo que o mundo está lá fora, que basta diminuir a velocidade até ela parar e então sair. Porém presos ao contador de tempo, de calorias consumidas, de batimentos cardíacos, de quilometragem...
E quando vejo um vídeo como este, do Território do Brincar, eu me sinto muito mais próxima de um hamster engaiolado:
Claro que há o contraponto da educação, cultura, acesso ao trabalho e tudo mais, tanto que são estas as questões que sempre ganham na nossa balança. E por isso mesmo é que sinto tão necessário contemplar este brincar autêntico, deixando chegar as lembranças da própria infância, refletindo sobre a assepsia exagerada dos valores urbanos e curtindo a dor de não proporcionar ao meu filho a pura simplicidade.
(Clique aqui para conhecer mais sobre o projeto Território do Brincar)
- Quanto tempo vamos ficar sem Internet?
- Acho que o dia todo, filho.
- O QUÊ?!?! O dia todo??? Como é que eu vou ficar o dia todo sem Internet??
E como "ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais"...
- Sabia que quando eu era criança nem existia Internet? A gente passava todos os dias sem Internet.
Pronto. Com a bola levantada, Bruno fez ponto:
- É. Não tinha Internet, mas tinha quintal!
Só para lembrar o que muitos já dizem por aí, nada adianta proibir a criança de ver televisão ou de jogar videogame. Se ela mora num apartamento, que opções ela tem? O Bruno ainda é filho único e seus brinquedos têm a péssima mania de não serem tão divertidos quanto brincar com outras crianças.
Ué, e por que não levamos ele para brincar no campo, por que não mudamos para uma casa, por que não saímos de São Paulo? Talvez estejamos enroscados demais na rotina da cidade e de todo o trabalho diário que ela nos exige que nem sabemos fazer isso, como se estivéssemos correndo sem parar numa esteira de academia, de frente para uma parede de vidro. Sabendo que o mundo está lá fora, que basta diminuir a velocidade até ela parar e então sair. Porém presos ao contador de tempo, de calorias consumidas, de batimentos cardíacos, de quilometragem...
E quando vejo um vídeo como este, do Território do Brincar, eu me sinto muito mais próxima de um hamster engaiolado:
Claro que há o contraponto da educação, cultura, acesso ao trabalho e tudo mais, tanto que são estas as questões que sempre ganham na nossa balança. E por isso mesmo é que sinto tão necessário contemplar este brincar autêntico, deixando chegar as lembranças da própria infância, refletindo sobre a assepsia exagerada dos valores urbanos e curtindo a dor de não proporcionar ao meu filho a pura simplicidade.
(Clique aqui para conhecer mais sobre o projeto Território do Brincar)
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Um desenho de amor de mãe
...Então eu estava num curso de ilustração muito especial, este aqui. De um exercício saiu este desenho, que eu descrevi assim:
Esse é meu filho. Quando ele dorme, está sempre com o pé de fora. Um pé de menino de 8 anos, mas que eu continuo achando bonitinho como quando ele era um bebê. É nessa hora que eu posso me sentar na pontinha da cama que me sobra... porque ele está tão crescido... e ficar olhando apaixonada pra ele... E embora eu tenha a vontade impulsiva de envolvê-lo e protegê-lo como um cobertor, na verdade o que eu realmente desejo é que ele ponha mesmo os pés pra fora, alcance seus sonhos mais altos, alcance o céu...
Esse é meu filho. Quando ele dorme, está sempre com o pé de fora. Um pé de menino de 8 anos, mas que eu continuo achando bonitinho como quando ele era um bebê. É nessa hora que eu posso me sentar na pontinha da cama que me sobra... porque ele está tão crescido... e ficar olhando apaixonada pra ele... E embora eu tenha a vontade impulsiva de envolvê-lo e protegê-lo como um cobertor, na verdade o que eu realmente desejo é que ele ponha mesmo os pés pra fora, alcance seus sonhos mais altos, alcance o céu...
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quinta-feira, 28 de junho de 2012
E a tal "hora" do banho...
Era hora de tomar banho e o Bruno estava jogando no computador.
- Bruno, é hora de tomar banho. Você vai agora ou precisa de 15 minutos?
- Preciso de 15 minutos!
Um pouquinho depois, ele desliga o computador e liga a TV. Fico esperando ele ir ao banho... nada...
- Bruno, já se passaram 40 minutos!!
E a resposta, muito simples, foi:
- Táaa.
Esperei mais 5 minutos. Nada. Ele com o controle remoto na mão.
- Bruno, e o banho? Você está com o controle na mão para desligar a TV, certo?
- Mas tem que tomar banho?!?!?!
- Bruno!!! Eu te dei 15 minutos, esperei você contar o tempo, se passaram 40 minutos e você ainda não foi para o banho!!
- Mas mãããe... é que eu não sei contar o tempo quando eu tô distraído!!....
E a hora do banho está levando mais de hora pra acontecer. Nesse minuto, ele está lendo um gibi no banheiro... lá vou eu.
- Bruno, é hora de tomar banho. Você vai agora ou precisa de 15 minutos?
- Preciso de 15 minutos!
Um pouquinho depois, ele desliga o computador e liga a TV. Fico esperando ele ir ao banho... nada...
- Bruno, já se passaram 40 minutos!!
E a resposta, muito simples, foi:
- Táaa.
Esperei mais 5 minutos. Nada. Ele com o controle remoto na mão.
- Bruno, e o banho? Você está com o controle na mão para desligar a TV, certo?
- Mas tem que tomar banho?!?!?!
- Bruno!!! Eu te dei 15 minutos, esperei você contar o tempo, se passaram 40 minutos e você ainda não foi para o banho!!
- Mas mãããe... é que eu não sei contar o tempo quando eu tô distraído!!....
E a hora do banho está levando mais de hora pra acontecer. Nesse minuto, ele está lendo um gibi no banheiro... lá vou eu.
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segunda-feira, 18 de junho de 2012
8 anos!
Agora o Bruno está com 8 anos! Um moço. Dá seus primeiríssimos sinais do que virá a ser a perpétua sensação de instabilidade da adolescência. Ele mesmo às vezes estranha:
- Ai mãe... eu não sei o que está acontecendo comigo. Eu perdi a vontade de brincar com os brinquedos que eu gosto. Eu quero me divertir mas não sei do que brincar.
Ele me explicou que pega mal ter um determinado personagem estampado na camiseta ou levar um boneco dele na escola na sexta-feira. Mas que brincar em casa, aí tudo bem.
Mais e mais ele vai lutando por liberdade, ao mesmo tempo em que percebe a dureza de assumir novas responsabilidades.
Os papos-cabeça vão ficando mais longos nos dias em que quer conversar, e em outros, perde a paciência.
Puxa a mão com força para não andar de mão dada mas se esquece de prestar atenção à sua volta para caminhar.
Se aninha no colo de um jeito que já não cabe mais. Eu tento abraçá-lo em volta para que caiba, puxo pra perto e ele acaba todo encolhido, sufocado. Damos risada, ele se solta, suspira e sai pra brincar.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Imagine nossa casa...
Para você imaginar bem como é nossa casa, vou lhe contar um pequeno diálogo muito visual:
- Bruno, onde está sua chuteira?
- Já viu debaixo da mesa do computadooor?
- Não.
- Ora, é lá que costumam ficar todos os meus sapatos!!
- Bruno, onde está sua chuteira?
- Já viu debaixo da mesa do computadooor?
- Não.
- Ora, é lá que costumam ficar todos os meus sapatos!!
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