Nesta noite, a história escolhida foi uma sobre a imigração no Brasil, uma revista em quadrinhos da Turma da Mônica. Lá se contava que na Europa os operários estavam sendo substituídos por máquinas e que muita gente ficou desempregada, então vieram ao Brasil tentar uma nova vida.
Terminada a história, era hora de escovar os dentes. Olhei para a escova e disse:
- Ih, Bruno, essa escova já está toda aberta, vamos ter que trocar.
- Você vai substituí-la? - o grifo é devido ao esforço que o menino fez para usar uma palavra que tinha acabado de ouvir no gibi.
- Sim, ela vai ser substituída.
- Mas ela não vai perder o emprego, vai???
Bem, sob protestos do sindicato acordamos que a velha escova de dentes seria realocada no setor de artes da casa.
terça-feira, 6 de julho de 2010
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Hã, o quê? Copa do Mundo?
Ahhh, Copa do Muuundo... todo o país enfeitado de verde-amarelo, a paixão pelo futebol que toma conta das ruas...
Bruno e Ricardo numa loja de artigos esportivos. De frente para o uniforme canarinho, o pai tentou criar um pré-clima de torcida.
- Sabe de quem é essa camiseta?
- Errr... do São Paulo?
- Ó, leia aqui...
- [Braaasil...] É do Brasil, pai.
- E esta aqui? - perguntou Ricardo orgulhoso apontando pra camiseta de seu time.
- [Reeebok.] É da Rebok, pai.
(Esclarecimento: na foto acima, o Bruno foi jogar futebol com o pai. Em poucos minutos a pobre bola ficou de canto e a brincadeira virou guerra de alienígenas e depois uma tourada)
Bruno e Ricardo numa loja de artigos esportivos. De frente para o uniforme canarinho, o pai tentou criar um pré-clima de torcida.
- Sabe de quem é essa camiseta?
- Errr... do São Paulo?
- Ó, leia aqui...
- [Braaasil...] É do Brasil, pai.
- E esta aqui? - perguntou Ricardo orgulhoso apontando pra camiseta de seu time.
- [Reeebok.] É da Rebok, pai.
(Esclarecimento: na foto acima, o Bruno foi jogar futebol com o pai. Em poucos minutos a pobre bola ficou de canto e a brincadeira virou guerra de alienígenas e depois uma tourada)
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Momento mágico do chá
Uma fria e corriqueira noite de outono. O fiel escudeiro oficial de videogame do Bruno ia chegar tarde, então eu assumi o controle reserva do Super Mario Galaxy 2. Ao final, demos uma voltinha por sua nave espacial em forma de cara e vimos uma mesinha com chá posto para dois. Uhhmm... fomos para a cozinha fazer um de verdade.
Preparamos o chá juntos, o que pode não parecer nada mas que já é uma gostosa experiência culinária para quem acaba de fazer 6 anos. Cheirinho de gengibre no ar, o mel descendo em fio na xícara. Um de cada lado da mesinha na cozinha, sentamos e tomamos nosso chá, devagar e conversando. Cena pra lá de insosa para quem vê. Aqui dentro é que tudo rolava.
Lembrei de quando ele almoçava no cadeirão, com o chão forrado de jornal. Agora ele estava ali, na minha frente, tomando um chá e conversando comigo. Em seu copo plástico, lambendo o beiço com a linguinha de lado, mas tudo com uma aura cintilante.
Não sei se essa noite ficará guardada na memória do Bruno como um momento mágico, mas na minha vai. Este é um daqueles flashes que aparecem de repente na cabeça, nos tiram do ar por um instante e nos fazem sorrir.
Inesperado, simples, difícil de contar. Um momento mágico com certeza...
Preparamos o chá juntos, o que pode não parecer nada mas que já é uma gostosa experiência culinária para quem acaba de fazer 6 anos. Cheirinho de gengibre no ar, o mel descendo em fio na xícara. Um de cada lado da mesinha na cozinha, sentamos e tomamos nosso chá, devagar e conversando. Cena pra lá de insosa para quem vê. Aqui dentro é que tudo rolava.
Lembrei de quando ele almoçava no cadeirão, com o chão forrado de jornal. Agora ele estava ali, na minha frente, tomando um chá e conversando comigo. Em seu copo plástico, lambendo o beiço com a linguinha de lado, mas tudo com uma aura cintilante.
Não sei se essa noite ficará guardada na memória do Bruno como um momento mágico, mas na minha vai. Este é um daqueles flashes que aparecem de repente na cabeça, nos tiram do ar por um instante e nos fazem sorrir.
Inesperado, simples, difícil de contar. Um momento mágico com certeza...
terça-feira, 25 de maio de 2010
Aniversário executivo
Claaaro que o Bruno está ansioso para seu aniversário. Há um mês ele pediu que tivesse uma piñata e ao longo do mês já foi planejando outras brincadeiras. Festa bem miudinha e caseira, menos de meia dúzia de crianças, e ele está curtindo os preparativos tanto, tanto... e eu também né, hehehe. Quando eu era criança, montava barraquinhas imaginárias de jogos nas festinhas de aniversário na varanda de casa. É tãaao divertido poder fazer isso com habilidade de adulto e pistola de cola quente!
Começamos a fazer a piñata, enchemos os saquinhos-surpresa, desenhamos o cartaz do burro (aquele famoso, que não tem rabo), reciclamos uns enfeites e montamos um jogo com uma caixa de papelão.
E ele me disse que queria participar de tudo, que não era para eu fazer nada sozinha. E que achava que tinha que testar todos os jogos. Também começou a falar que precisaríamos ter uma ordem certa para as brincadeiras. Eu só não esperava um profissionalismo tão grande:
- Sabe, antes da minha festa vai ter uma reunião. Vai ser uma reunião para dizer aos convidados qual vai ser a ordem certa das brincadeiras!
Começamos a fazer a piñata, enchemos os saquinhos-surpresa, desenhamos o cartaz do burro (aquele famoso, que não tem rabo), reciclamos uns enfeites e montamos um jogo com uma caixa de papelão.
E ele me disse que queria participar de tudo, que não era para eu fazer nada sozinha. E que achava que tinha que testar todos os jogos. Também começou a falar que precisaríamos ter uma ordem certa para as brincadeiras. Eu só não esperava um profissionalismo tão grande:
- Sabe, antes da minha festa vai ter uma reunião. Vai ser uma reunião para dizer aos convidados qual vai ser a ordem certa das brincadeiras!
sexta-feira, 30 de abril de 2010
O aluno ensina
Ontem o Bruno estava a mil com sua produção filosófica, então aqui vai outro post no mesmo dia:
Estou fazendo pós graduação em Educação, um curso que se chama "As relações interpessoais na escola e a construção da autonomia moral". Para mim é tudo novidade, pois não tenho formação em Educação. Estava estudando os textos do primeiro módulo e vi que tradicionalmente se pensa que o professor ensina e o aluno aprende. Há também os que defendem que o aluno aprende e que o professor não deve interferir. Mas sob os conceitos do construtivismo, a educação se dá numa via de duas mãos, o professor ensina e o aluno aprende, mas também o professor aprende e o aluno ensina. E só quando o professor aprender do aluno é que ele será capaz de ensinar plenamente.
Deixei o texto de lado e fui lá ser mãe:
- Bruno, é bom fazer a lição de casa.
E ouço: Grrrrrr... Plaf, Pum, Grrrrrrrrr, eu não quero! Pof, catapof, Grrrrr!
- Ô mãe!! Eu ainda estou nervoso. Você precisa me acalmar! Quando eu não consigo me acalmar sozinho você me ajuda, é assim que funciona!!
- Olha Bruno, você precisa aprender a controlar sozinho a sua raiva e blá blá blá blá... - até que num dado momento ele estava no meu colo - blá blá blá... Está calmo agora? Vamos fazer lição?
- Vamos!
Terminado, ele estava orgulhoso por ter resolvido o desafio e eu pude continuar meus estudos. Ele estava tão contente que foi guardar a pasta cantarolando:
- Eu adooro a minha escoooola! Lá eu aprendo um montãaaao e a professora ensiiiiiinaaaaa e apreeendeee!
(!!!!)
Estou fazendo pós graduação em Educação, um curso que se chama "As relações interpessoais na escola e a construção da autonomia moral". Para mim é tudo novidade, pois não tenho formação em Educação. Estava estudando os textos do primeiro módulo e vi que tradicionalmente se pensa que o professor ensina e o aluno aprende. Há também os que defendem que o aluno aprende e que o professor não deve interferir. Mas sob os conceitos do construtivismo, a educação se dá numa via de duas mãos, o professor ensina e o aluno aprende, mas também o professor aprende e o aluno ensina. E só quando o professor aprender do aluno é que ele será capaz de ensinar plenamente.
Deixei o texto de lado e fui lá ser mãe:
- Bruno, é bom fazer a lição de casa.
E ouço: Grrrrrr... Plaf, Pum, Grrrrrrrrr, eu não quero! Pof, catapof, Grrrrr!
- Ô mãe!! Eu ainda estou nervoso. Você precisa me acalmar! Quando eu não consigo me acalmar sozinho você me ajuda, é assim que funciona!!
- Olha Bruno, você precisa aprender a controlar sozinho a sua raiva e blá blá blá blá... - até que num dado momento ele estava no meu colo - blá blá blá... Está calmo agora? Vamos fazer lição?
- Vamos!
Terminado, ele estava orgulhoso por ter resolvido o desafio e eu pude continuar meus estudos. Ele estava tão contente que foi guardar a pasta cantarolando:
- Eu adooro a minha escoooola! Lá eu aprendo um montãaaao e a professora ensiiiiiinaaaaa e apreeendeee!
(!!!!)
Leitura de mãos manejando durex
Ontem fomos comprar presentes de aniversário para amigos do Bruno.
A vendedora fez os pacotes com uma má-vontade nota 10. Não era falta de jeito, na qual não há problema algum, era falta de vontade mesmo. E como aprecio a arte de fazer pacotes, estava cheia de comichão ao ver aquelas mãos que mal conseguiam levantar do balcão e que baixavam tombando sobre o pacote, o durex grudado torto onde não era pra ter durex, etiqueta da loja sendo usada como durex por todos lados, a cabeça pendida pro lado...
O clima era pesado, e eu no meu exoterismo pensei na energia ruim que pairava ali. Pensei em muita coisa, eu até me prometia a mim mesma que jamais deixaria que a rotina chegasse ao ponto de eu agir daquela maneira. Bem, mas tudo eram pensamentos meus, algo que ebulia internamente, mania minha.
Então o Bruno foi mais além e entendeu tudo. Ele virou pra mim e disse:
- Ela não tá feliz?
Desejei que a moça tivesse escutado. Que ela ouvisse aquilo e tomasse uma atitude.
Pendurei a pergunta na minha gargantilha, para olhar de vez em quando no espelho e lembrar da lição, como um checkup da saúde da alma.
A vendedora fez os pacotes com uma má-vontade nota 10. Não era falta de jeito, na qual não há problema algum, era falta de vontade mesmo. E como aprecio a arte de fazer pacotes, estava cheia de comichão ao ver aquelas mãos que mal conseguiam levantar do balcão e que baixavam tombando sobre o pacote, o durex grudado torto onde não era pra ter durex, etiqueta da loja sendo usada como durex por todos lados, a cabeça pendida pro lado...
O clima era pesado, e eu no meu exoterismo pensei na energia ruim que pairava ali. Pensei em muita coisa, eu até me prometia a mim mesma que jamais deixaria que a rotina chegasse ao ponto de eu agir daquela maneira. Bem, mas tudo eram pensamentos meus, algo que ebulia internamente, mania minha.
Então o Bruno foi mais além e entendeu tudo. Ele virou pra mim e disse:
- Ela não tá feliz?
Desejei que a moça tivesse escutado. Que ela ouvisse aquilo e tomasse uma atitude.
Pendurei a pergunta na minha gargantilha, para olhar de vez em quando no espelho e lembrar da lição, como um checkup da saúde da alma.
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quinta-feira, 29 de abril de 2010
Espanha, Brasil e amizades
Voltamos ao Brasil! :-D
Fisicamente já faz quase 1 mês, mas talvez emocionalmente ainda estamos nos trasladando. Ao mesmo tempo em que estamos felizes por estar perto de nossas famílias e de nossos valores, há a tal da readaptação que todos comentam. É como uma planta num vaso: enquanto ela cresce dentro de um determinado vaso, está tudo bem, porque ela cresce moldando-se a ele. Mas se ela é retirada desse vaso, passa um tempo em outro vaso e depois é colocada novamente no antigo vaso, não se encaixa mais. É preciso cortar uns tequinhos da raiz aqui, colocar um pouco de terra acolá, pra ficar ajustadinho. Bom, isso falando de planta velha, né, que tem aquelas raizonas quase saindo pelo buraquinho de drenagem...
Já o Bruno mudou de vaso e continuou verdejante. Encarou com seu sorriso de sempre o encontro com sua nova-velha-vida. Suas folhas já crescem bastante com o clima tropical úmido e quente.
E acho que descobri seu segredo: sabiamente, seu coração é escancarado à amizade. Isso o faz crescer forte em qualquer vaso. Ele reencontrou seus amigos com uma felicidade imensa, com muitos abraços.
Por outro lado, ontem o Bruno lembrou-se de seus amigos espanhóis:
- Como estarão passando meus amigos na Espanha?
(Precisava ver o livro com a coletânea dos desenhos que cada amigo seu fez como despedida lá na Espanha... imagina o quanto eu chorei.)
Eu gostaria de ter um raio-X de sentimentos para saber tudo o que acontece dentro desse coração tão gigante, que abraça sua vida sempre com tanta alegria, seja num canto ou outro. Tenho aprendido tanto com ele!
Essa é uma: antes de voltar, em meio à mega-confusão da mudança, eu disse ao Bruno que não aguentava mais estar ali. E o Bruno disse:
- Mas por quê? Se você aqui tem até amigas...
Minhas pernas trançaram, ele tinha toda a razão. Vou me fazer essa pergunta toda vez que estiver irritada com coisas (e não-coisas) amontoadas à minha volta.
Fisicamente já faz quase 1 mês, mas talvez emocionalmente ainda estamos nos trasladando. Ao mesmo tempo em que estamos felizes por estar perto de nossas famílias e de nossos valores, há a tal da readaptação que todos comentam. É como uma planta num vaso: enquanto ela cresce dentro de um determinado vaso, está tudo bem, porque ela cresce moldando-se a ele. Mas se ela é retirada desse vaso, passa um tempo em outro vaso e depois é colocada novamente no antigo vaso, não se encaixa mais. É preciso cortar uns tequinhos da raiz aqui, colocar um pouco de terra acolá, pra ficar ajustadinho. Bom, isso falando de planta velha, né, que tem aquelas raizonas quase saindo pelo buraquinho de drenagem...
Já o Bruno mudou de vaso e continuou verdejante. Encarou com seu sorriso de sempre o encontro com sua nova-velha-vida. Suas folhas já crescem bastante com o clima tropical úmido e quente.
E acho que descobri seu segredo: sabiamente, seu coração é escancarado à amizade. Isso o faz crescer forte em qualquer vaso. Ele reencontrou seus amigos com uma felicidade imensa, com muitos abraços.
Por outro lado, ontem o Bruno lembrou-se de seus amigos espanhóis:
- Como estarão passando meus amigos na Espanha?
(Precisava ver o livro com a coletânea dos desenhos que cada amigo seu fez como despedida lá na Espanha... imagina o quanto eu chorei.)
Eu gostaria de ter um raio-X de sentimentos para saber tudo o que acontece dentro desse coração tão gigante, que abraça sua vida sempre com tanta alegria, seja num canto ou outro. Tenho aprendido tanto com ele!
Essa é uma: antes de voltar, em meio à mega-confusão da mudança, eu disse ao Bruno que não aguentava mais estar ali. E o Bruno disse:
- Mas por quê? Se você aqui tem até amigas...
Minhas pernas trançaram, ele tinha toda a razão. Vou me fazer essa pergunta toda vez que estiver irritada com coisas (e não-coisas) amontoadas à minha volta.
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