Bruninho crescendo... tomou todas as vacinas, lê Harry Potter e não quer usar roupa com bichinho que tem cara de criança pequena. Já contei? Que ele havia decidido ser desenhista-de-desenhos-animados-de-cinema porque "eles são muito compridos e precisam de muitos, muitos, muitos desenhos, então daí vou ficar milionário!!!"
Um dia ele foi menor que o bebê do solzinho do Teletubies, ficou maior que o Caillou e agora acha que, só porque fez 7 anos, tem idade para ver seriados como o Zeke & Luther, Uma banda lá em casa e ainda por cima acredita que é grande o suficiente para ser fissurado pelo Peter Punk, uma série argentina que o fez entrar num dilema terrível sobre seu futuro profissional:
- Não sei se vou ser ilustrador de desenhos animados ou se vou ser astro do rock, não sei o que escolher, e agora??
Aqui eles cantam em português:
A maioria das músicas está em espanhol e ao ouvir essa o pai comentou com o Bruno:
- Puxa, ele quase não tem sotaque, né?
E o Bruno:
- O que é sotaque? É de comer?
sábado, 30 de julho de 2011
sexta-feira, 17 de junho de 2011
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Primeiros apontamentos profissionais
Ontem cheguei tarde em casa e havia um recado para que eu olhasse o caderno sobre a mesa. Eram anotações sobre como fazer um desenho animado, que Bruno anotou assistindo a um vídeo do Mundo da Criança, o mesmo. Eu sei, eu sei que certas substâncias só são ativadas pelo organismo se o sujeito for pertencente à mesma linhagem corujística, mas... este é um blog de pais, ué, o que você esperava??
Recortando e colando trechos de diálogos sobre o futuro profissional dele:
- Mãe! Quando eu crescer eu vou ser desenhista-de-desenhos-animados-de-personagens-de-jogos-de-videogame.
- Mãe, quem inventa a história não é o mesmo que faz os desenhos? E quem faz os movimentos não pode inventar o personagem? Eu não quero ser o que faz as vozes... então eu vou ser... eu vou ser...
- Mãe, eu vou ter meu próprio canal de desenhos-animados-de-personagens-de-jogos-de-videogame. Porque se eu trabalhar numa outra empresa, eu só vou desenhar a história dos outros, eu nunca vou desenhar minha própria história!
- Já decidi qual vai ser o nome da minha empresa! Vai ser ......... !
Não te conto, não conto-o! Daqui a uns 20 anos você vai saber. ;-)
Recortando e colando trechos de diálogos sobre o futuro profissional dele:
- Mãe! Quando eu crescer eu vou ser desenhista-de-desenhos-animados-de-personagens-de-jogos-de-videogame.
- Mãe, quem inventa a história não é o mesmo que faz os desenhos? E quem faz os movimentos não pode inventar o personagem? Eu não quero ser o que faz as vozes... então eu vou ser... eu vou ser...
- Mãe, eu vou ter meu próprio canal de desenhos-animados-de-personagens-de-jogos-de-videogame. Porque se eu trabalhar numa outra empresa, eu só vou desenhar a história dos outros, eu nunca vou desenhar minha própria história!
- Já decidi qual vai ser o nome da minha empresa! Vai ser ......... !
Não te conto, não conto-o! Daqui a uns 20 anos você vai saber. ;-)
7 anos!
Quando o Bruno tinha uns 2, 3 anos, ouvíamos muito "ah... essa fase é tão gostosa... aproveite, porque depois, viu!". A fase do "viu!" ainda não chegou para nós, continua sendo uma curtição descobrir o mundo com filhote. É ele quem devolve nossos pés ao chão, pois adulto muitas vezes se esquece o que significa viver realmente.
O penico só sobrou na lembrança e é incrível imaginar que o que era um feijãozinho no ultrassom possa hoje ter tantas delas...
O penico só sobrou na lembrança e é incrível imaginar que o que era um feijãozinho no ultrassom possa hoje ter tantas delas...
terça-feira, 3 de maio de 2011
Como foi que escolheram meu nome?
Na escola, o Bruno está estudando sobre a passagem do tempo e o desenvolvimento do ser humano. Eles estudaram a própria certidão de nascimento e pela primeira vez ele se deparou com os nomes completos dos avós. Hoje, como lição de casa, ele ia fazer uma entrevista com os pais e começou a me contar no carro:
- Mãe, preciso te perguntar: como foi que vocês escolheram meu nome?
- Bem, primeiro nós pesquisamos sites de nomes de bebês e anotamos os que mais gostamos. Então conversamos "Ah, esse eu não gosto", "ah, este é legal". Depois ficamos muitos dias tentando decidir entre os nomes preferidos.
Foi delicioso lembrar de nossa angústia na escolha do nome do bebê e de que já sabíamos bem como ele era de personalidade, antes mesmo de nascer...
Depois desse pequeno instante de silêncio, meu bebê exclamou indignado:
- Vocês escolheram meu nome pela... Internet????
- Mãe, preciso te perguntar: como foi que vocês escolheram meu nome?
- Bem, primeiro nós pesquisamos sites de nomes de bebês e anotamos os que mais gostamos. Então conversamos "Ah, esse eu não gosto", "ah, este é legal". Depois ficamos muitos dias tentando decidir entre os nomes preferidos.
Foi delicioso lembrar de nossa angústia na escolha do nome do bebê e de que já sabíamos bem como ele era de personalidade, antes mesmo de nascer...
Depois desse pequeno instante de silêncio, meu bebê exclamou indignado:
- Vocês escolheram meu nome pela... Internet????
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segunda-feira, 18 de abril de 2011
Incentivo à não leitura
Eram férias de janeiro e estávamos os três curtindo a ala infantil da Livraria Cultura. Láaa no cantinho, beeeem no fundo, uma mãe puxou nervosa seu filho de cerca de 10 anos e lhe perguntou:
- Olha. Tá aqui. Quantos você vai ler?
- Mas mãe...
- TEM QUE LER. QUANTOS VOCÊ VAI LER?
- Um.
- Um não. Quatro.
- Um.
- Então três.
- Dois.
- Tá bom, tá bom, dois então. Vamo, escolhe logo, quais você quer ler? (...) Vamo, rápido, escolhe logo que eu quero sair daqui.
A bronca estava doendo em mim, então me movi para sair de perto. Foi inevitável: ao me virar e dar um passo, num só relance vi que os livros que a mãe havia espalhado no balcão para o menino escolher eu não diria nem para o Bruno ler com seus 6 anos. Era uma coleção de qualidade literária duvidosa, comercial, fininhos e claramente inadequados (para não dizer tontos) para um menino tão grande.
Quase chorando, o menino disse:
- Mãe, se você faz assim eu não consigo escolher!...
Aí sim a mãe foi delicada:
- ESCOLHE LOGO QUE EU NÃO AGUENTO MAIS FICAR AQUI!
Pobre mãe, tão pressionada pelo incentivo à leitura. Embora tenha ficado muito indignada com sua postura, não a culpo, pois ninguém conseguiu fazê-la gostar de ler, ela mesma é vítima.
Hoje é dia nacional do livro infantil. Eu sou absolutamente apaixonada por livro infantil e mesmo assim estou bem entediada com esses milhões de dias do livro que mais igualam o livro ao agrião.
Não se ensina o filho a gostar de livro (nem de agrião) se os pais e professores não tiverem este amor, verdadeiramente. “Tem que comer”...ops.. “ler!” – não é lá muito motivador.
E não adianta disfarçar o livro de brinquedo. Há espaço para tudo, mas oferecer um livro piscante ou com o personagem da moda achando que está incentivando a leitura é engano. É como misturar o agrião bem picadinho no meio do feijão.
Também acho que teatrinhos e filminhos contando a história de um menino triste que descobriu a felicidade dentro dos livros só causa mais aversão.
Antes de promover um incentivo à leitura dentro de casa, o adulto precisa se convencer de que ele mesmo gosta de ler. E não é preciso ser erudito, basta ler o que se gosta de ler, com prazer verdadeiro. Difícil saber como começar? Pode ser o caderno de automóveis do jornal, revista feminina, folheto de supermercado. Sei que não é fácil começar a gostar de agrião.
Bem, foi mais um desabafo, porque sei que quem teve paciência para ler um post tão grande deve gostar bastante de ler.
Aproveitando o gancho: já provou o agrião só com seus talos mais fininhos? Ou mesmo só a folhinha? Aquele talo grosso, quando colocado na sopa, murcha e perde o “ardido”, além de funcionar como um canudinho. E refogado? Uhmmm...
quinta-feira, 17 de março de 2011
Ser filho numa metrópole
Quando fui buscar o Bruno na escola, ele já tinha planos para sua tarde:
- Mãe, quando eu chegar em casa vou fazer um livro. Você sabe, né, eu quero ser autor de livros quando crescer. E hoje vou desenhar uma história sobre os Angry Birds.
- Sobre o joguinho de celular?
- É, do celular do papai. Já que hoje eu não posso jogar porque papai está trabalhando, vou fazer um livro e mostrar para ele à noite.
Mas a noite chegou e seu pai não.
Era hora de dormir e tudo o que restava fazer era telefonar e lhe perguntar se estava perto ou se ainda estava preso no trânsito.
- Pai, onde você está?... ainda?!?! Aaaahh... – e desligou sem se despedir, tão frustrado que estava. – Papai ainda está no trabalho! Não é justo! Por que ele chega tão tarde em casa?
- É porque ele anda trabalhando muito, querido.
- Então deveria ser o contrário, ué. Se ele está trabalhando muito, deveria terminar o serviço logo e voltar cedo para casa.
Vestiu o pijama chorando. E eu fiquei pensando em quantas casas de São Paulo a cena se repetia naquele mesmo instante. Ele me pediu que o ajudasse. Como eu gostaria de consertar a rotina metropolitana, Bruno... Tudo o que pude lhe dizer foi que ele poderia ligar para conversar um pouco com o pai e lhe dizer boa noite. No começo ele achou que não era suficiente, mas respirou fundo, enxugou as lágrimas e discou o número do celular do pai.
- Pai... você pode conversar um pouco comigo?
Durante a conversa, seu coração foi se amansando com o colo que recebia via telefone. Contou-lhe sobre seu dia na escola, sobre o livro que tinha começado. E ainda recebeu a boa notícia de que papai estava a caminho de casa.
- Então, boa noite, pai. Enquanto você não vem, vou lhe escrever uma mensagem, tá legal? Tchau!
Correu para pegar um lápis em seu estojo e me pediu uma folha de papel.
- Mãaaaae, como se escreve “coisa”?
E desatou a escrever, rápido como o ritmo de seu coração, feliz pela idéia genial que teve para se sentir mais perto do pai. Começava com “Querido papai, eu tinha tanta coisa para te mostrar...” e continuava de um jeito... que não foi possível manter meus olhos secos.
- Mãe, podemos rezar para o papai conseguir chegar mais cedo em casa?
Sentamos em sua cama, e ele começou:
- Papai do céu, ajuda o papai a voltar mais cedo do trabalho e a sair mais cedo para o trabalho. Amém.
Depois que li uma história, ele se aninhou no travesseiro e pareceu adormecer. Encostei a porta. Cinco minutos depois, a chave girou na sala com seu barulho inconfundível, que sempre anunciava a chegada de alguém muito amado. Bruno abriu a porta de seu quarto e saiu correndo abraçar o pai.
E como criança tem prioridade na fila de preces, papai do céu fez meu marido dizer, inocente:
- Amanhã, vou sair mais cedo e levar o Bruno para a escola, posso?
E viveram sonolentos e felizes, por todo o dia seguinte.
- Mãe, quando eu chegar em casa vou fazer um livro. Você sabe, né, eu quero ser autor de livros quando crescer. E hoje vou desenhar uma história sobre os Angry Birds.
- Sobre o joguinho de celular?
- É, do celular do papai. Já que hoje eu não posso jogar porque papai está trabalhando, vou fazer um livro e mostrar para ele à noite.
Mas a noite chegou e seu pai não.
Era hora de dormir e tudo o que restava fazer era telefonar e lhe perguntar se estava perto ou se ainda estava preso no trânsito.
- Pai, onde você está?... ainda?!?! Aaaahh... – e desligou sem se despedir, tão frustrado que estava. – Papai ainda está no trabalho! Não é justo! Por que ele chega tão tarde em casa?
- É porque ele anda trabalhando muito, querido.
- Então deveria ser o contrário, ué. Se ele está trabalhando muito, deveria terminar o serviço logo e voltar cedo para casa.
Vestiu o pijama chorando. E eu fiquei pensando em quantas casas de São Paulo a cena se repetia naquele mesmo instante. Ele me pediu que o ajudasse. Como eu gostaria de consertar a rotina metropolitana, Bruno... Tudo o que pude lhe dizer foi que ele poderia ligar para conversar um pouco com o pai e lhe dizer boa noite. No começo ele achou que não era suficiente, mas respirou fundo, enxugou as lágrimas e discou o número do celular do pai.
- Pai... você pode conversar um pouco comigo?
Durante a conversa, seu coração foi se amansando com o colo que recebia via telefone. Contou-lhe sobre seu dia na escola, sobre o livro que tinha começado. E ainda recebeu a boa notícia de que papai estava a caminho de casa.
- Então, boa noite, pai. Enquanto você não vem, vou lhe escrever uma mensagem, tá legal? Tchau!
Correu para pegar um lápis em seu estojo e me pediu uma folha de papel.
- Mãaaaae, como se escreve “coisa”?
E desatou a escrever, rápido como o ritmo de seu coração, feliz pela idéia genial que teve para se sentir mais perto do pai. Começava com “Querido papai, eu tinha tanta coisa para te mostrar...” e continuava de um jeito... que não foi possível manter meus olhos secos.
- Mãe, podemos rezar para o papai conseguir chegar mais cedo em casa?
Sentamos em sua cama, e ele começou:
- Papai do céu, ajuda o papai a voltar mais cedo do trabalho e a sair mais cedo para o trabalho. Amém.
Depois que li uma história, ele se aninhou no travesseiro e pareceu adormecer. Encostei a porta. Cinco minutos depois, a chave girou na sala com seu barulho inconfundível, que sempre anunciava a chegada de alguém muito amado. Bruno abriu a porta de seu quarto e saiu correndo abraçar o pai.
E como criança tem prioridade na fila de preces, papai do céu fez meu marido dizer, inocente:
- Amanhã, vou sair mais cedo e levar o Bruno para a escola, posso?
E viveram sonolentos e felizes, por todo o dia seguinte.
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