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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Sobre o desastre de Mariana

Bruno com 11 anos. Puxa vida, onze anos. Está passando 2015 com seus sentimentos tão divididos. Descobrindo coisas novas em sua vida e, já com saudade, se despedindo da infância.

Hoje perguntei para ele se estavam comentando nas aulas sobre o desastre da barragens que se romperam em Mariana. Ele disse que não. Então lhe contei o que estava acontecendo. Ele ficou mal, indignado com a falta de pensar no outro, com o egoísmo dos seres humanos, ficou se sentindo muito pequeno e impotente.

Dei a ideia de levar o assunto para a escola amanhã, na aula de História ou Geografia. Então ele me disse a coisa que a gente mais precisa escutar:

- Eu não quero falar desse assunto para fins de estudo. Eu quero ajudar!!

E é realmente diferente.

Será que quando estudamos moralidade, tornamo-nos mais morais? A resposta é não.  Quando estudamos moralidade, estamos adquirindo conhecimentos teóricos. Não estamos exercitando a bondade, a generosidade, a moralidade, a ética.

Falar sobre fazer o bem não nos torna bons, como já se dizia desde antes.

E é isso que estamos fazendo no facebook. Comentando sobre ser ou não bom, generoso e humano. E o que, de fato, estamos fazendo?

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Renato fez 1 ano!

Muitos momentos marcantes aconteceram, como quando andou de repente longos 3 metros no dia do batizado.

Tantos foram os avanços na sapequice que o Conversa de Penico teve que ficar no plano das ideias.

Renato explora tudo o que pode no apartamento.  Como me dói uma área tão limitada.  Fico pensando se ele pararia de mexer no fogão, na máquina de lavar roupa e no lixo se ele vivesse num lugar amplo, na natureza.


Quando abro a geladeira, Renato vem de mansinho e rouba um limão. Nhac!


Outro dia fomos ao zoológico de Itatiba.  Remexeu o cascalho e zap!  Estava quase levando uma lagarta verde, bem lagartosa, rumo à boca. Agarrou com seus dedos em pinça tão firme que deu dó da pobre lagarta.  Duvido que tenha sobrevivido.  Se sim, virou uma borboleta manca.

Aqui nesse caixote apinhado e espremido, é impossível não ligar a televisão e o youtube. Sorte a dele que o repertório é chique: Palavra Cantada, Grupo Triii, Barbatuques.  Confesso que por curiosidade já testamos aqueles vídeos impossíveis de gostar, mas que a lavagem cerebral social insiste em dizer que criança fica vidrada. Demos risada: se o vídeo é ruim,  ele solta um gemido de tédio beeem comprido.

Um dia, ele estava vendo TV e eu chamei para almoçar. Desliguei o aparelho e fui levá-lo para a cozinha.  Ele se esgueirou, pegou o controle remoto e correu para a cozinha antes de mim.  Quando cheguei, ele estava apertando os botões, de frente para o forno.  Nesse mundo que tem vídeo no computador, na TV e em tudo que é aparelho que desligado é escuro e tem reflexo da gente, é preciso mesmo testar se não passa Tum-pá no forno ou na lavadora de roupas, né?

E aqui um de seus testes de intercâmbio:  eu estava fazendo o almoço e o Renato se pôs a remexer armários e gavetas, como sempre.  Dessa vez encontrou um cortador de biscoito.  Ficou olhando por cinco segundos.  Zap!  Sumiu pela porta.  Fui olhar.  E encontrei essa cena:



Como é que acontece de nós adultos não termos mais ideias como essas? Como é que nunca pensamos em colocar a peça de uma de nossas gavetas cerebrais em outras? Por que temos nojo de bichos asquerosos? Enfim, que raios fazemos com as crianças para se tornarem adultos com preconceitos?

Que os anjinhos dos meus filhos os protejam dos nossos erros de criação!...

Sonhar alto




Depois de um café da manhã de sábado, Bruno larga o Youtube e vem nos contar:

- Mãe, pai, sabe o que eu fiquei sabendo? Não é que eu quero isso não tá? Lá no Youtube, quem atingir um milhão de inscritos, que eu sei que é impossível pra mim, ganha uma marca dourada!!

A novidade foi perdendo o brilho e a carinha do filhote foi murchando. Saiu pro quarto mas não conseguiu esconder a cara triste que resolveu aparecer.

Eu podia deixar pra lá.  Ah, bobagem. Logo passa, não é?


***


Eu tinha onze anos quando entendi: ser adulto maduro era parar de sonhar.  Mas eu achava errado. E decidi que minha luta seria ir contra isso.  Sem querer, isso foi ficando aqui comigo.  Sem eu nem perceber, nunca me afastei dessa missão.  E só me dei conta agora, quase com 40.


***


Olhei meu filho de quase onze anos pré-frustrado porque achava impossível atingir a marca de um milhão de inscritos no seu canal.

Fui lá.

Conversei com ele um montão.  Pra resumir a conversa, vai aqui a frase do horizonte do Eduardo Galeano.  Conhece?


“La utopía está en el horizonte. Camino dos pasos, ella se aleja dos pasos y el horizonte se corre diez pasos más allá. ¿Entonces para que sirve la utopía? Para eso, sirve para caminar.”





***


Demorou para eu entender que não é falta de maturidade ser sonhador. Passei a maior parte de minha vida sem desconfiar que esses meus sonhos sempre tão altos, tão distantes, são o que me fazem querer ser sempre uma pessoa melhor. São minha motivação. Sonhos lindos.


***


Perguntei ao Bruno como é que ele ficaria mais contente: atingindo 1 milhão de inscritos com um canal em que ele postasse vídeos semanais pagando mico, ou chegando aos 50.000 inscritos com vídeos falando sobre games e outros assuntos que ele gosta.

Então com suas próprias respostas ele concluiu:

- Meu sonho não é atingir um milhão de inscritos.  Meu sonho é gravar bons vídeos.




Quero que ele sonhe alto, muito alto. E que voe para alcançar, bem alto.  E que comemore cada etapa concluída, cada vitória rumo aos sonhos.




Daí o Renato entrou no quarto com seus passinhos de um ano de idade. Já foi logo tagarelando e remexendo os carrinhos do irmão.  Bruno pegou seu Daruma da estante.  Por muito tempo ele só tinha um olho pintado.  Foi marcante pintar o segundo olho, um momento de gratidão.

Com o Daruma entre as duas mãos em conchinha, sorriu para o Renato que botava o quarto dele de pernas para o ar.

- Sabe mãe. Vale muito a pena sonhar.



domingo, 20 de julho de 2014

Mas… e como vão as coisas?

O Renato está com 4 meses.  O Bruno fez 10 anos e está de férias.  Fácil não está sendo não: tenho que varrer o chão mais vezes porque meu cabelo está caindo adoidado.  Mas a verdade verdadeira mesmo… é que está tudo na mais santa paz!...






quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Lambuzar é preciso



Amo essa foto.  Aqui o Bruno tinha 11 meses.  Pra matar a curiosidade, os alimentos que posam para a foto são arroz, feijão preto (não era feijoada não, heim), beterraba e uma verdura irreconhecível.  E posso garantir que  a lembrança mais forte dessa época não é a de ficar limpando o chão.  É a de ver a carinha dele se deliciando.  A lambança não foi em vão: hoje ele adora brócolis, quiabo, bardana, tofu.

O que me fez sacar essa foto do fundo do baú foi este post sobre um método de introduzir alimentos sólidos a bebês que eu não conhecia:


Eu não teria coragem de oferecer uma coxa de frango a um nenê de 6 meses como o do primeiro vídeo, mas esses exemplos extremos são inspiradores para reavaliar medos, neuras, conceitos de assepsia e preguiças.


quarta-feira, 3 de julho de 2013

Para um dia se lembrarem




Desejo me lembrar desse instante para sempre.  Não quero me esquecer do quanto gosto de ver como seus traços são tão parecidos, como são tão companheiros, cúmplices, tão filho de um e pai do outro. 

Quero também que vocês não se esqueçam. Vêem? Como é especial esse minuto? Percebem que esse instante tão corriqueiro, na sala de casa, num abraço, numa partida de xadrez, numa caprichada escovação de dentes, num jogo do Brasil, na passada hora de dormir, é o que depois vai ter sido importante? A vida de vocês, juntos, pai e filho.  Queria tanto que vissem o que eu posso ver daqui de canto.  Que esse minuto de vocês, juntos, não vão lembrar por inteiro.  Que vai se acabar e que amanhã já quase não terá importância.

Mas olhem, meninos, amanhã é muito cedo.  Amanhã essa lembrança não vale nada, mas quando esse pequenino crescer, quando tudo estiver às avessas, esse minuto será a vaga lembrança, cada dia mais nítida, do que vocês verdadeiramente são. 


domingo, 30 de junho de 2013

Momento mágico do lençol branco

Eu ainda não tenho coragem de levar o Bruno para uma manifestação.  Mas também não podia deixar passar batida aquela segunda-feira marcante da história de nosso país.  Foi uma segunda em que até o ar da manhã estava diferente, afoito, ansioso pelas badaladas das 17h.

Então peguei o lençol branco e andei de uma janela a outra do apartamento, até encontrar uma em que ela ficasse bonitona balançando ao vento do décimo oitavo andar.

O Bruno até tentou se manter indiferente em meio aos seus games, mas não é sempre que a mãe se põe a colocar um lençol branco na janela por causa de uma notícia da TV.  Algo diferente estava acontecendo, ele sabia.

- Olha, Bruno, toda essa gente está se reunindo para uma manifestação.

- Deixa eu ver quem mais colocou lençol branco na janela. (...) Xii, mãe, nós somos os únicos aqui do nosso condomínio.

- Não tem problema não, Bruno, a gente faz nossa parte.

Uma parte tão pequena, eu sei, naquele momento era uma participação muito miúda.  Só que eu sei, eu realmente acredito que assim, pequenininho, estou participando de uma maneira grande sim, formando um cidadão.

- Olha mãe, já estão contando que são 40 mil!

E juntando um pequeno cidadão aqui e outro acolá, de repente temos uma nação que cresce.

- E no Rio de Janeiro já são 100 mil!!!

E assim, simbolicamente, o Bruno guardou com carinho sua participação naquela segunda-feira de manifestações.  Acompanhou maravilhado a multidão tomando as ruas do país, mostrou  com entusiasmo ao pai o lençol branco balançando no escuro, contou-lhe sobre os números de manifestantes  - que na hora não importava se eram 65, 100 mil, um milhão.  Eram muitos.

Aquele dia, naquele dia, eu sei que não foi nada.  Só que eu acredito que esse esporo de cidadania um dia vai eclodir da memória, em forma de força extra para fazer a sua, a sua parte, na confiança sobre a união de forças, numa luta que pode parecer solitária olhando daqui da janela.

Amanhã vai ser maior.  Tudo começa pequeno. Amanhã vai ser maior!...

quarta-feira, 5 de junho de 2013

9 anos: xeque-mate


9 anos!... Quando foi que tudo isso aconteceu? Se quando o Conversa de Penico começou ele era campeão de frases fofas, hoje ele é um grande estrategista nos argumentos.
(Psiiiu... não conta pra ele que eu continuo achando ele fofo... é meu filhote, vou fazer o quê?!?!)

Ele andou uns dias testando até onde ia nosso limite quanto aos seus horários.  Apesar de ser responsável por administrar seu tempo para fazer lição de casa e suas tarefas, andava adiando, adiando, até que chegou o dia em que eu disse que era hora de dormir e só então ele foi fazer lição. Aí pegou.

- Bruno, você não está mostrando que tem responsabilidade pra controlar seus horários.  A partir de agora, eu é que vou controlar seus horários.

- O quê?? Eu vou ter que seguir os horários que você mandar?

- Sim. Só vai brincar e assistir TV depois de fazer todas as suas tarefas.  E pra ter de volta sua liberdade com os horários, vai ter que me provar que é responsável o suficiente pra isso.

Uhm. Pra quê, né?

- Mas mãe!... se eu não posso controlar meus horários, como é que eu vou poder provar que posso controlar meus horários?!?!

Não adianta, não há espaço para deslizes. Sempre há uma brecha na legislação que ameaça a ordem.

Por outro lado, com tanta maturidade, ele também toma conta de mim:

- Mãe... o que você tem? Você tá bem? - ele disse, meio alarmado

- Tô sim, Bruno.  Só tô com sono, muito, muito sono.

E fui para o computador.  O Bruno veio atrás.

- Mãe!!!  Se é só facebook, vai dormir!!!

E assim, de xeque em xeque, vamos entrando na pré-adolescência.  E eu fico aqui pensando até quando será que vou continuar achando ele um fofo...





quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Um desenho de amor de mãe

...Então eu estava num curso de ilustração muito especial, este aqui.  De um exercício saiu este desenho, que eu descrevi assim:

Esse é meu filho.  Quando ele dorme, está sempre com o pé de fora.  Um pé de menino de 8 anos, mas que eu continuo achando bonitinho como quando ele era um bebê.  É nessa hora que eu posso me sentar na pontinha da cama que me sobra... porque ele está tão crescido... e ficar olhando apaixonada pra ele... E embora eu tenha a vontade impulsiva de envolvê-lo e protegê-lo como um cobertor, na verdade o que eu realmente desejo é que ele ponha mesmo os pés pra fora, alcance seus sonhos mais altos, alcance o céu...


quinta-feira, 28 de junho de 2012

E a tal "hora" do banho...

Era hora de tomar banho e o Bruno estava jogando no computador.

- Bruno, é hora de tomar banho. Você vai agora ou precisa de 15 minutos?

- Preciso de 15 minutos!

Um pouquinho depois, ele desliga o computador e liga a TV.  Fico esperando ele ir ao banho... nada...

- Bruno, já se passaram 40 minutos!!

E a resposta, muito simples, foi:

- Táaa.

Esperei mais 5 minutos.  Nada.  Ele com o controle remoto na mão.

- Bruno, e o banho?  Você está com o controle na mão para desligar a TV, certo?

- Mas tem que tomar banho?!?!?!

- Bruno!!!  Eu te dei 15 minutos, esperei você contar o tempo, se passaram 40 minutos e você ainda não foi para o banho!!

- Mas mãããe... é que eu não sei contar o tempo quando eu tô distraído!!....

E a hora do banho está levando mais de hora pra acontecer. Nesse minuto, ele está lendo um gibi no banheiro... lá vou eu.




segunda-feira, 18 de junho de 2012

8 anos!


Agora o Bruno está com 8 anos!  Um moço.  Dá seus primeiríssimos sinais do que virá a ser a perpétua sensação de instabilidade da adolescência.  Ele mesmo às vezes estranha:

- Ai mãe... eu não sei o que está acontecendo comigo.  Eu perdi a vontade de brincar com os brinquedos que eu gosto.  Eu quero me divertir mas não sei do que brincar.

Ele me explicou que pega mal ter um determinado personagem estampado na camiseta ou levar um boneco dele na escola na sexta-feira.  Mas que brincar em casa, aí tudo bem.

Mais e mais ele vai lutando por liberdade, ao mesmo tempo em que percebe a dureza de assumir novas responsabilidades.

Os papos-cabeça vão ficando mais longos nos dias em que quer conversar, e em outros, perde a paciência.

Puxa a mão com força para não andar de mão dada mas se esquece de prestar atenção à sua volta para caminhar.

Se aninha no colo de um jeito que já não cabe mais.  Eu tento abraçá-lo em volta para que caiba, puxo pra perto e ele acaba todo encolhido, sufocado.  Damos risada, ele se solta, suspira e sai pra brincar.



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

My little nerd

Há alguns minutos atrás...

- Bruno, vem secar o cabelo.

- Aaahh...

- Eu não entendi o que é "aahhh", me explica?

- É que tá passando um programa sobre Astrofísica e eu quero ver!

(Lá no fundo da sala, pai delirando de orgulho)

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A grande revelação, 2 meses antes no Natal.

Foi ontem.  Não houve como adiar.

- Pai.  Já escolhi meu presente de natal.  O jogo de videogame Sbrinksbronks.

E o pai, que já estava esperando o momento dessa séria conversa, disse:

- Ah, que legal... e você acha que o Papai Noel faz jogo de videogame?

- Pai... eu tô achando que VOCÊ é o Papai Noel.

- Eeeeeu??
(Ilustração feita p/ Ed. Positivo)
- É pai.

- Mas você acha que eu coloco você pra dormir, finjo que durmo, acordo no meio da madrugada de natal, saio de casa de fininho, vou comprar o presente e coloco debaixo da árvore??  - Para entender, leia o post o ano passado aqui. - Pode não ser eu... pode ser... a mamãe!!!

- Não pai.  A mamãe é muito cansada, ela não conseguiria acordar no meio da madrugada para ir comprar o presente.  É você, não é?

Então, prensado na parede dessa maneira, não houve maneira.  O Ricardo confessou.  Mas ele foi um bom marido e muito justo ao dizer que eu também era Papai Noel.  E explicou que não saímos na  madrugada de natal atrás do presente, afinal eu sou muito cansada e nunca acordaria para fazer compras no natal, isso estava muito óbvio.

E aproveitamos para esclarecermos nossas próprias dúvidas:

- E como foi que você descobriu?

- Ora, eu estava desconfiando, porque onde já se viu uma rena voadora?

E nossa reveladora noite seguiu gostosa: o Bruno num misto de alegria pela descoberta e frustração por não existir Papai Noel; nós lhe dizendo que o Natal vai continuar sendo mágico, que Nicolau existiu mesmo, que outras pessoas se vestem de bom velhinho para distribuir presentes a crianças órfãs...

E agora nós temos um grande segredo que não podemos contar a nenhuma outra criança.  Shhhh!!!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

E ainda somos os mesmos, como os nossos paaaaisss!...

O Bruno está andando de skate, o que deixa o pai muito orgulhoso. Estávamos indo pra pista e o Ricardo não se conteve no elevador vazio:

- Meu filhiiinho, ele anda de skate, olha, olha!

E o Bruno deixou claro que o ciclo da vida é o mesmo pra todos e só lembramos do que não gostávamos quando crianças pra gente repetir o mesmo com nossos filhos.


sexta-feira, 10 de junho de 2011

7 anos!

Quando o Bruno tinha uns 2, 3 anos, ouvíamos muito "ah... essa fase é tão gostosa... aproveite, porque depois, viu!".  A fase do "viu!" ainda não chegou para nós, continua sendo uma curtição descobrir o mundo com filhote.   É ele quem devolve nossos pés ao chão, pois adulto muitas vezes se esquece o que significa viver realmente.

O penico só sobrou na lembrança e é incrível imaginar que o que era um feijãozinho no ultrassom possa hoje ter tantas delas... 


terça-feira, 3 de maio de 2011

Como foi que escolheram meu nome?

Na escola, o Bruno está estudando sobre a passagem do tempo e o desenvolvimento do ser humano.  Eles estudaram a própria certidão de nascimento e pela primeira vez ele se deparou com os nomes completos dos avós.  Hoje, como lição de casa, ele ia fazer uma entrevista com os pais e começou a me contar no carro:

- Mãe, preciso te perguntar: como foi que vocês escolheram meu nome?

- Bem, primeiro nós pesquisamos sites de nomes de bebês  e anotamos os que mais gostamos.  Então conversamos "Ah, esse eu não gosto", "ah, este é legal".  Depois ficamos muitos dias tentando decidir entre os nomes preferidos.

Foi delicioso lembrar de nossa angústia na escolha do nome do bebê e de que já sabíamos bem como ele era de personalidade, antes mesmo de nascer...

Depois desse pequeno instante de silêncio, meu bebê exclamou indignado:

- Vocês escolheram meu nome pela... Internet????

sábado, 1 de janeiro de 2011

Mas como ninguém nunca viu o Papai Noel?


O Bruno estava muito desconfiado que o Papai Noel não existia, porque ele ficou muito decepcionado quando soube que eu era a fada dos dentes.  Durante o mês, ficou perguntando, perguntando e nós não sabíamos mais o que fazer para prolongar nossa sonhada fantasia de ser o bom velhinho.  É tãaaao gostosinho, né?  Até contamos a história do São Nicolau, mas ela é tão curtinha, nem dá tempo de enrolar legal.

- Pai.  Eu acho que o Papai Noel é você.

- É mesmo?... mas por que você acha isso?

- Porque eu nunca ouvi nenhum barulhinho do Papai Noel chegando.  Eu acho que quando eu vou dormir na noite de Natal, você sai de casa, compra meu presente e coloca debaixo da árvore!

Neste natal o Papai Noel ainda foi a figura mitificada pelo refrigerante, mas hoje mesmo ele resolveu reler a carta que veio junto com o presente e ficou desconfiado... acho que foi nosso último Natal em companhia do gorduchinho misterioso...

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

E passou o dia das crianças...


Passou o feriadão e o dia das crianças.  Hoje foi mais difícil acordar de manhã, a água da torneira estava gelada.  Não, não é justo levantar cedo e só conseguir começar a trabalhar duas horas depois... meu escritório é em casa!... Mochila, uniforme, lancheira, café da manhã, leite.  Chega, não dá mais para adiar, é hora de acordar o pequerrucho.

Lá no quarto, há uma criança dormindo com todo o seu ser.  Procuro seu pezinho debaixo do cobertor fofinho para ir acordando com uma massagem.  Acho um pé de moleque, nem é assim pequeno.  E aí o tempo pára... a correria cessa...

Toda manhã é igual: eu sempre me surpreendo com o pé dele que é maior do que me lembrava.  E a mão também...  Aproveito esse mini-instante de contemplação para comparar o tamanho da mão dele com a minha.  Sempre é maior do que tenho na memória.

Ele está crescendo.  Já trocou dois dentes, lê, escreve, aprecia Clarice Lispector, planta bananeira, joga xadrez.  Eu nem sei mais por quanto tempo terei assunto para este blog.  E sou tão agradecida por tudo que tenho aprendido, minha criança...

Outro dia me dei conta de que, de certa maneira, a maternidade foi responsável por muitos dos conhecimentos mais importantes que adquiri, inclusive profissionalmente.  Além dos ensinamentos diretos que recebi de meu filho, estudei muito para me tornar um ser humano um pouco mais capaz de criar uma boa pessoa para o futuro. Eu não deixo de colocar em meu Curriculum Vitae este item importante:  "Mãe".  Nem sei se quem o tem em mãos vai se dar conta da extensão desse aprendizado, mas fico na esperança de que sim.  Foram tantas vivências, tão ricas... para mim é muito claro como tudo contribui para minha profissão.  Seja ela qual for.

Bom dia, Bruno... que soninho, né?  Vem cá que eu te levo pra sala... ugh, que pesaaado.  Uma risadinha dorminhoca.

Uns minutinhos e pronto.  Acorda a criança, levanta a alegria, começa mais um dia.

domingo, 1 de novembro de 2009

Bixadores e fim do horário de verão

O Bruno não se conforma com os pixadores. Cada vez que passa por uma pixação já começa:

- Essa não. Bixado (sic)! Esses meninos não deveriam bixar. Eles deveriam pintar num papel bem grande. A mãe deles deveria dar uma bronca neles. Acho que eles são uns ladrões.

- Ih, Bruno, acho que os ladrões são ocupados demais roubando, acho que eles não iriam pixar não.
Outra coisa que deixa ele inconformado é a hora em que o sol se põe. Aqui na Espanha acabou o horário de verão, e pra explicar?...

- Então, Bruno, é que existem umas pessoas que decidem que se deve mudar o horário do relógio porque se diz que se economiza energia elétrica.

Aí danou-se... o menino ficou irado:

- O quê?!?! Eu acho que eles são uns chatos!!! Eu acho que esses meninos que bixam e esses meninos que ficam brincando de mudar a hora do relógio são uns ladrões!!... dos que não estão ocupados. Eles não sabem que se mudam a hora do relógio fica de noite mais cedo e eu tenho menos tempo pra brincar???

Bem, mas parece que ele achou uma solução. Agora mesmo seu pai acaba de me informar que estava contando uma história de monstros para ele. Um deles comia meninos malvados.

- Esse monstro podia existir de verdade, pai. Assim ele podia comer esses meninos que ficam bixando.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Quero ler!

O Bruno está ansiosíiiiimo para conseguir ler. Ele conhece todas as letras, lemos livros todas as noites com ele, é maluco-doido-alucinado por histórias, então imagina como ele está desesperado pelo momento do "clique" sobre o funcionamento da dança das letras.

E outro dia, num certo bate-papo, eu disse:

- Ai Bruno, eu gosto tanto de brincar com você! Com quem eu vou brincar quando você ficar adulto?

E ele:

- Não se preocupe, mãe. Quando eu ficar adulto, você pode brincar comigo mesmo. - e emendou sua angústia - SE eu ficar adulto e aprender a ler... SE eu aprender a ler quando ficar adulto (carinha de desespero e ansiedade)... nós podemos jogar Perfil e eu mesmo vou poder ler as minhas cartas, não vou mais precisar pedir pra você!

Uhmm... quando ele aprender a ler, vamos jogar Perfil assim, mas será que eu vou perder meu momentinho de ler junto com ele? É tãaaao gostosinho...